07/01/2026
Esse texto toca num ponto delicado e muito verdadeiro: o adoecimento que nasce não da falta de capacidade, mas do excesso de entrega sem retorno.
"A mulher que não sabia fizer NÃO".
Ele fala de um cansaço que não é só físico — é existencial. Um esgotamento que vem de viver em função do “sim”, de sustentar expectativas alheias enquanto as próprias necessidades vão sendo empurradas para depois… até desaparecerem.
Há algo muito potente nessa virada que o texto propõe: perceber que o “não” não é ruptura, é cuidado. Que limite não é muro, é contorno. Sem contorno, tudo vaza — energia, alegria, saúde, identidade. O corpo, sábio e leal, tenta avisar quando a alma é ignorada. E quando ninguém escuta, ele grita em forma de sintoma.
Também dói reconhecer como, socialmente, o silêncio é romantizado. Quem aguenta tudo vira forte. Quem chora vira fraco. Quem pede ajuda “exagera”. Esse texto desmonta isso com delicadeza: força não é suportar até quebrar; força é parar antes do colapso. É escolher a própria inteireza mesmo quando isso frustra expectativas externas.
A imagem do amor-próprio como casa é linda — porque casa não é espetáculo, é abrigo. É onde a gente pode tirar a armadura, sentar no chão, respirar sem desempenho. Voltar para si não é retrocesso, é retorno à origem.
Refletir sobre isso é se perguntar, com honestidade: – Onde eu tenho me abandonado para ser aceito? – Que “sins” têm me custado caro demais? – Que partes minhas estão pedindo colo há tempos? – O que, hoje, eu posso fazer diferente, mesmo que pequeno?
Às vezes o recomeço não vem com grandes decisões. Vem com um limite dito com voz trêmula. Com uma pausa sem justificativa. Com um pedido de ajuda sussurrado. Com a escolha de não se explicar tanto.
E isso já é amor. Silencioso, firme, restaurador.
Paula Leite .