02/02/2026
Nem toda saudade se refere à pessoa real. Em muitos casos, ela está ligada à narrativa idealizada que foi construída sobre quem se amou. Uma versão sem falhas, sem ausências e sem os episódios em que não houve reciprocidade.
Não se sente falta de quem foi incoerente, distante ou ambíguo. O que permanece é o apego à possibilidade: à expectativa de que a relação poderia ter se desenvolvido de outra forma. Trata-se do “potencial” projetado, de uma imagem que existia mais no campo mental do que na experiência concreta.
O funcionamento psíquico tende a proteger o indivíduo diante da frustração: suaviza memórias negativas, minimiza situações de desvalorização e enfatiza momentos afetivos. Esse processo torna a lembrança mais tolerável, porém mantém o sujeito vinculado a uma história que não se realizou.
Ao final, o sofrimento não se concentra na ausência do outro, mas na necessidade de elaborar o luto da fantasia criada e reconhecer o investimento emocional feito em algo que não se confirmou na realidade. .daletbarbosa 🌸
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