11/12/2025
Dostoiévski fala que “[...]onde não houver amor, não haverá juízo” (DOSTOIÉVSKI, 2021, p. 131). Elaboro que o amor se estabelece, a partir do complexo de castração, da incidência da metáfora paterna – um pai que castra a mãe e uma mãe que autoriza o significante mestre num sujeito dilacerado pela falta onde, “[...] amar é dar a alguém o que, por sua vez, tem ou não tem o que está em causa, mas certamente dar o que não se tem. Dar, ao contrário, também é dar, mas é dar o que se tem (LACAN, 1957/1958, p. 218).
A loucura em si, na minha perspectiva neurótica é não consentir com a castração. Queridos, como não nos reconhecermos responsáveis por articular todo esse humano? No ano passado, eu questionava se haveria prazer na morte, articulada ao gozo, este ano, retomo o campo do gozo, mas inscrita na dimensão da loucura e sua característica principal: ser castrado, ou seja, ser um ser de solidão – advertida de que é só na solidão que me encontro como sujeito de desejo.
O simbólico, inspira racionalidade, a partir da relação com o Outro – ser de falta – e metáfora paterna – possibilidade de simbolizar, marcando esse primeiro significante – Nome-do-Pai. Castrado, avanço na necessidade da comunicação e em toda dificuldade de laço de amor dentro da diferença, para atestar que, às vezes, ser louco é um recurso de não morrer de não falar.
Enlouquecer num dado momento ou outro, não é prejudicial, muito pelo contrário, se para voltar ao meu coração for necessário atravessar as fantasias para me resgatar em ato de fala, fundamentada no nome-do-pai, que eu seja louca. Mas reconheço que a minha loucura não pode transgredir aos outros, ela é minha, uma substância para simbolizar.
Será que existe atravessamento sem loucura, ou de louco todo mundo tem um pouco?
XII Jornada de Cartéis da Psicanálise aos Domingos
Juliana Cardoso
Psicanalista
CRP 08/24409