19/11/2025
A pré-eclâmpsia, caracterizada pela elevação da pressão arterial durante a gestação, representa uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal em todo o mundo. Felizmente, os avanços científicos nos permitem não apenas identificar gestantes em risco elevado, mas também prevenir formas graves da doença. O rastreamento precoce, realizado idealmente entre 11 e 14 semanas de gestação (primeiro trimestre), utiliza uma combinação de fatores: história clínica materna, marcadores bioquímicos e, fundamentalmente, a avaliação das artérias uterinas pelo Doppler ultrassonográfico. Seguindo protocolos internacionais validados pela ISUOG, FMF (Fetal Medicine Foundation) e referendados pela FEBRASGO, FIGO e ACOG, este exame avalia o fluxo sanguíneo nas artérias espiraladas uterinas - vasos responsáveis por nutrir a placenta - permitindo calcular com precisão estatística o risco individual de cada gestante desenvolver pré-eclâmpsia.
A importância deste rastreamento precoce reside na janela terapêutica específica para prevenção: quando o risco calculado é elevado (superior a 1:150, ou aproximadamente 1%), a administração de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose pode reduzir em até 90% a ocorrência de pré-eclâmpsia precoce e suas complicações graves. Entretanto, esta medicação deve ser iniciada obrigatoriamente antes de 16 semanas de gestação para exercer seu efeito protetor sobre o desenvolvimento placentário. Após este período, a eficácia é significativamente reduzida ou perdida, representando uma oportunidade perdida de proteção materno-fetal. Por isso, centros de excelência como o BCNatal enfatizam que o Doppler de artérias uterinas não é um exame opcional, mas uma ferramenta fundamental no ultrassom de primeiro trimestre, permitindo identificar gestantes de risco e implementar medidas preventivas no momento ideal, salvando vidas de mães e bebês através de cuidado baseado em evidências científicas sólidas.
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