17/10/2025
🌿 Crônica: Quando o amor deixa de ser muleta
Há um momento na vida em que o coração cansa.
Cansa de esperar o retorno de mensagens, de se moldar ao silêncio do outro,
de tentar ser a metade que se encaixa num quebra-cabeça que nunca se completa.
A dependência emocional nasce desse cansaço mascarado de amor.
É o desejo de ser visto, reconhecido, escolhido — não pelo que somos,
mas pelo que achamos que o outro quer que sejamos.
E é curioso como a mente tenta justificar:
“Eu amo demais.”
Mas, no fundo, é o medo de não ser amada o suficiente que grita.
É o medo da ausência que confunde presença com prisão.
Só que um dia a alma desperta.
E ela sussurra — primeiro baixinho, depois em grito suave:
“Aceita o que aparece.”
Aceita a saudade.
Aceita o vazio.
Aceita o amor que não pôde ser.
Aceita o espelho do outro mostrando tudo o que ainda precisa ser amado em você.
A dependência emocional começa a se dissolver quando paramos de culpar quem foi,
e começamos a cuidar de quem ficou — nós mesmos.
Quando você se olha com ternura e diz:
“Eu estou aqui por mim.”
Quando você entende que o amor verdadeiro não vem para preencher,
mas para transbordar o que já existe.
Então o apego cede espaço à leveza.
O controle se rende à confiança.
A dor vira aprendizado.
E o outro, aquele que parecia essencial,
se transforma em um professor que te conduziu de volta pra casa.
Não há perda quando há consciência.
Há libertação.
Há espaço para um novo tipo de amor —
um amor que não pede, não prende, não implora.
Um amor que simplesmente é.
Porque quando você aceita o que aparece,
a vida para de te empurrar.
E começa a te conduzir.