17/04/2026
Existe uma fase do processo interno que muita gente interpreta mal.
É quando o jeito antigo já não funciona como antes, mas o novo ainda não se firmou o suficiente para trazer segurança.
Você já não consegue reagir igual. Já não consegue acreditar nas mesmas saídas. Já não consegue se encaixar com facilidade nas formas antigas.
Só que, ao mesmo tempo, ainda não sabe exatamente como sustentar o novo lugar.
E isso assusta.
Assusta porque parece confusão. Parece regressão. Parece perda de controle. Parece que você desaprendeu a viver.
Mas, muitas vezes, não é fracasso.
É entrelugar.
O entrelugar é esse espaço entre uma estrutura que está perdendo força e outra que ainda está sendo construída.
Por isso aparecem dúvida, vazio, oscilação, cansaço e uma vontade enorme de voltar para o automático — não porque ele era bom, mas porque ele era conhecido.
Só que o conhecido nem sempre é paz.
Muitas vezes, é apenas repetição.
Nem todo desconforto é sinal de erro. Às vezes, o desconforto aparece porque você já não cabe mais no lugar antigo.
O problema é que muita gente desiste exatamente aí: no meio da travessia.
Mas travessia não pede pressa.
Pede sustentação.