07/01/2026
Não desperdice a Medicina da AYAHUASCA. Ela tem um valor imenso. E não falo apenas de dinheiro. Um litro de boa procedência pode custar caro, mas o verdadeiro valor está no que existe por trás.
Um feitio sério leva dias inteiros. Envolve muitas pessoas, desde a colheita das folhas de chacrona até o preparo do cipó, que precisou de anos para estar pronto. Nada ali é simples, rápido ou feito por acaso.
Os grandes caldeirões comportam cerca de 120 litros. Dentro deles vão quilos de cipó, folhas selecionadas e muita água. A mistura ferve por horas até reduzir bastante, recebe mais água e o processo se repete várias vezes. Isso exige fogo constante por dias, muita lenha, esforço físico e dedicação. Pessoas que abrem mão da própria rotina, do conforto e da vida pessoal para sustentar esse trabalho.
A AYAHUASCA carrega saberes ancestrais. Percorre longas distâncias, depende de logística cuidadosa e leva muito tempo até aquele pequeno copo chegar às tuas mãos.
Ainda assim, muitas vezes é tomada apenas para alimentar o ego. A pessoa chega julgando o que recebe, sem perceber o cuidado em preparar o espaço, a segurança, os detalhes. Cada vela acesa, cada gesto, tudo existe para sustentar processos profundos. Mesmo assim, a AYAHUASCA se oferece, mostra sombras, revela falhas e limpa o que precisa ser limpo.
No fim, a pessoa vai embora carregando críticas. Passa a apontar nos outros aquilo que, na verdade, ainda vive dentro de si. E então volta. Consagra de novo, e de novo. Bebe muito, mas muda pouco. O olhar segue duro, as palavras afiadas.
Pausa um instante. Observa tudo o que está envolvido para que esse encontro aconteça. Reconhece o quanto tens recebido e faz bom uso disso. Assume responsabilidade. Caso contrário, é apenas desperdício de algo raro, precioso e que poderia transformar a vida de quem realmente busca fazer do mundo um lugar melhor.