04/04/2025
Ontem foi um dia particularmente muito especial. Não “só” por poder participar de um seminário tão significativo, mas por ser uma superação particular.
No ensino médio, a professora de português pontuava por participação. Eu fiquei em recuperação por não conseguir participar das aulas,l, por medo de falar. Na prova de recuperação fui muito bem, pois não precisava falar, apenas escrever.
Em 2011 quando fiz o curso tec. de enfermagem, já tinha vergonha de falar em público pois me dava “branco”. Em uma apresentação de trabalho, na qual eu lia os slides, um professor disse “se for para ficar aí lendo não precisa apresentar, eu leio sozinho”. Eu chorei. E o que até então era medo, virou um trauma.
Na faculdade sempre que possível me esquivava de falar em público. Apresentar o TCC foi muito difícil, mas deu certo.
Em 2021 comecei a gravar vídeos para o YT, o primeiro foi um fiasco, apesar de expor minhas ideias, tremia até a mesa. E fui gravando mais e mais vídeos. Sozinha, editando quando preciso, fui “aprendendo a falar” sem ler.
Em outra oportunidade já em Itabira, conseguir falar para um grupo pequeno.
Na última semana eu tive muito medo, fiquei ansiosa. Mesmo dominando tudo o que precisava falar, os traumas anteriores me atormentavam, e eu pensava “e se der branco?”.
Ontem, quando vi um auditório de quase 300 pessoas, peguei o microfone tremendo, com a voz fraca no início. Pedi muito a Deus que iluminasse minha mente e direcionasse minhas palavras. Ver rostos conhecidos me trouxe paz, e fazer contato visual com pessoas demonstrando gestos de compreensão foram me acalmando. E apesar de ainda achar que faltou falar muuuita coisa nesse tema tão extenso e importante, a sensação de ter conseguido transmitir as ideias principais foi muito gratificante.
Paralelo a isso, trago uma reflexão para os que estiverem ou não presentes. Eu não estou no espectro autista, e ainda assim questões sociais podem me deixar inquieta, aflita, ansiosa. Imaginem quantos são os gatilhos em meio social para quem está no espectro?
Ver pessoas conhecidas, e perceber olhares compreensivos, me ajudaram a manter a calma.
E como eventos no presente pode nos remeter a traumas do passado?
Cont.