06/12/2025
Há quatro anos, eu soprava velas com um bebê de um mês nos meus braços.
Hoje, sopro velas com um menino que cabe no meu colo de outro jeito e eu também já não sou a mesma.
Engraçado como a vida muda o mundo sem fazer barulho.
Na primeira foto, eu era uma mulher recém-parida, atravessada por dúvidas, encantos, medos e aquele silêncio ensurdecedor que só o puerpério conhece.
Eu não fazia ideia de quem eu estava me tornando... só sabia que nada em mim voltaria para o lugar antigo.
E, sinceramente, ainda bem.
Na segunda foto, quatro anos depois, eu olho para nós dois e percebo:
o tempo não passou, ele me esculpiu.
Benjamin cresceu.
E eu cresci junto.
Mas meu crescimento não foi linear, bonito ou previsível.
Foi um ciclo de cair, levantar, renascer, desaprender, reconstruir…
Uma travessia emocional, psicológica, espiritual... daquelas que ninguém vê, mas que muda tudo que você toca.
Entre essas duas versões minhas existe:
✨ uma mulher que decidiu se reinventar;
✨ que largou certezas para se encontrar de verdade;
✨ que pariu um filho e, sem perceber, pariu também uma nova identidade;
✨ que encarou seus medos, suas sombras e suas potências;
✨ que descobriu que introversão não é fraqueza — é linguagem, é bússola, é poder.
Hoje, no dia do meu aniversário, não sinto que estou celebrando “mais um ano”.
Sinto que estou celebrando quem me tornei no processo.
A mãe.
A mulher.
A profissional que decidiu alinhar alma e trabalho.
A Kaline que se permitiu nascer de novo, tantas vezes quantas fossem necessárias.
E talvez esse seja o maior presente que a maternidade me deu:
a coragem de não me perder de mim enquanto cuido de quem amo.
Se essas fotos conversassem entre si, imagino que a Kaline de 2021 diria para a de hoje:
“Você não faz ideia… mas vai ficar tão forte, tão consciente, tão inteira… que um dia vai se agradecer por não ter desistido.”
E a Kaline de hoje responderia:
“Obrigada por seguir, mesmo sem saber caminho nenhum.”
Porque, no final, é isso que a vida pede da gente:
uma presença inteira nos dias que parecem frágeis
e uma coragem suave nos dias que pedem força.
Feliz aniversário para mim.
Para todas as minhas versões.