29/10/2025
Tive uma época que este espaço era depositário de muitas questões a respeito do meu desejo pela psicanálise, o tempo foi levando a que este novo lugar seja a Escola, o que fez com que inevitávelmente fique com menos tempo para vir aqui. O tempo é a questão que me atravessa nestes últimos dois anos, o tempo e o corpo na verdade, o que decanta também no gozo. Estas jornadas foram uma experiência de corpo, de gozo, de real, de consentir com a contingência, com o tempo possível. Algo em mim caiu, sabe? Ondina bem disse, quem não está em análise dificilmente suporta estar numa Escola de orientação lacaniana, porque ali não há O ideal, é movimento constante, você entra achando que vai encontrar algo e sai com outra coisa, e daí se vira com isso, daí consente e entende que era pra ser isso mesmo, e esse processo todo decanta numa vivificação tão única que é intransmissível. Foram minhas primeiras jornadas presenciais sendo mãe, o que me levou a consentir com uma dança de presença e ausência, aqui e lá, uma posição não-toda que é a invenção que consegui produzir para me haver com o que é possível, tanto na maternidade como na psicanálise, e na vida! A neurose não deixa esse processo fácil, o supereu também não. Porém as ressonâncias do trabalho que apresentei, da questão que fui convidada pelo Conselho para escrever para Ondina, da coordenação da Comissão de Divulgação junto com o Gustavo, foi produzindo efeitos e trocas que vão me permitindo assimilar que há um novo possível. Ao longo desses anos, tive vários momentos de angústias, como toda mãe, quando insistia em tentar fazer do mesmo jeito que antes, até que de fato caiu a ficha, não há mais o antes, e isso é muito bom! É um novo momento de possibilidade, de invenção, de se haver com a contingência desde um lugar que abre a dimensão de um outro tempo. Tudo corre diferente, corre e não corre, é mais rápido e também mais lento, é uma outra dimensão do tempo que, ao mesmo tempo que se vivem as coisas num mergulho intenso, dá pra sair, respirar e olhar de fora com uma bela distância. Sim, é necessariamente contraditório.
(Segue...)