Sou filha de pais trabalhadores e disciplinados que se dedicaram para que seus cinco filhos tivessem vidas confortáveis e bem-sucedidas. Meu pai, militar, nos incentivava a sonhar grande e a nos dedicarmos aos estudos, exemplif**ando isso com suas ações. Graças aos seus esforços, meu pai aprendeu inglês sozinho, passou em primeiro lugar em um concurso e nos mudamos para Denver, Colorado, em pleno auge dos movimentos negros dos anos 70. Foi difícil para nossa família branca e latina, mas todos sonhávamos em ver a neve. Ao voltarmos ao Brasil, meu irmão mais velho ingressou na Aeronáutica para realizar seu sonho de ser piloto. Infelizmente, ele sofreu um acidente trágico e fatal, o que nos trouxe uma dor infinita, levando meu irmão Mário, que é autista, a perguntar por que Deus não levou ele, já que não poderia casar e ter filhos. A pergunta mudou tudo, pois não sabíamos que o Mário se via assim. A vida tira, mas a vida também nos dá, e, nesse caso, nos deu propósito! A partir desse momento, o ajudamos a adquirir novas habilidades e a se tornar mais independente, percebendo que tínhamos uma ideia equivocada de suas limitações. Por estar mais atenta aos Transtornos do Neurodesenvolvimento, identifiquei sinais de autismo em minha neta. Com intervenções precoces, mitigamos drasticamente as dificuldades. Hoje, aos 5 anos, ela é uma criança totalmente funcional, graças ao diagnóstico precoce. Mas ainda não era o suficiente, busquei aprender sobre TDAH pois é realizador quando recebo pais aflitos com esses diagnósticos e consigo acalmá-los mostrando que ser diferente é normal, pois todos nós somos. Além de atender, dou palestras e já fui coautora de dois livros sobre TEA: “O Espectro Autista Feminino” e outro que será lançado ainda esse semestre. Atualmente, estou escrevendo meu terceiro livro, sobre TDAH, que será lançado em breve.