07/06/2025
✍🏻 | Costumamos acreditar que, ao amar, vamos encontrar aquela pessoa que nos completa, alguém capaz de curar o que em nós falta, alguém que venha preencher o vazio. Mas o amor, ao invés de saciar, amplia. Quando nos entregamos a alguém, não é a parte perdida que encontramos. É uma nova ausência que nasce: a falta de quem agora importa. O amor não apaga a solidão — ele a transforma. Porque amar é isso: mirar no encontro, e ainda assim, tocar acertar da falta. Essa é uma das reflexões que escritora Ana Suy faz em seu livro A gente mira no amor e acerta na solidão (2022).
O amor e a solidão estão muito conectados. Quando aprendemos sobre nossas incompletudes, nossas vulnerabilidades, acolhemos a solidão como um espaço a ser explorado, um espaço único. Só que muitas vezes a depender do nosso contexto emocional ou a depende das nossas crenças, podemos encarar a solidão como desamparo. A solidão é um campo fértil para o amor, especialmente de si mesmo. Não é no sentido recorrentemente encontrado na contemporaneidade, de se abandonar, isolar e nos alienamos de nós mesmos e das nossas relações. É encarar essa condição nossa como uma convocação a nossa singularidade, a construção da nossa autenticidade.
Porque só quem reconhece a própria falta
pode amar sem querer possuir. No final amamos sempre sozinhos.
Cada um ama com suas marcas, memórias, presenças e faltas. Ninguém salva ninguém.
E aceitar isso pode ser o começo de um amor mais verdadeiro.
Post por: .luanarruda