29/04/2026
29/04 - Dia Internacional da Dança
Quando penso na dança como expressão pura do nosso ser, percebo que ao longo do tempo fomos matando em nós a nossa essência dançante.
Observe uma criança, como dança sem medo, sem passos certos, sem equilíbrio, caindo e levantando, a pura expressão da alegria da alma.
Com o passar do tempo e da vida aprendemos passos ensaiados e medos novos, aprendemos que o erro é ruim e que a estética conta mais do que a expressão verdadeira de quem dança.
Muitos não dançam, porque não sabem, dizem eles, mas acredito que seja por medo do encontro consigo, pois dançar é correr o risco de conhecer verdadeiramente o seu ser inteiro.
Quantas coisas podem ser expressas numa dança, quantas não são, quantas nunca serão?
A dança é uma perfeita demonstração da vida acontecendo em nós, alguns se jogam nela, alguns têm medo dela, alguns não sabem o que ela é e estão confortáveis com isso, outros estão aprendendo, se permitindo, se descobrindo e se encontrando.
Se a vida não fosse um tribunal de infinitos juízes, quão lindas seriam as danças, quantos dançariam em nós as suas histórias, quantas alegrias seriam compartilhadas em passos e movimentos imperfeitos, mas verdadeiros.
Bons tempos onde dançar não tinha manual, regras, limites e uma caixa para se encaixar, onde a dança estava conectada com a natureza do que era natural em cada um.
Dançávamos para o sol, para a chuva, ao redor das fogueiras, sozinhos, em grupos, em rodas e com mais humanidade.
Que a vida sempre nos encontre disponíveis para dançar a nossa verdade, a nossa ancestralidade e a nossa humanidade e que na plateia da vida, os únicos aplausos que realmente importam sejam os da nossa alma dançarina.