07/03/2017
NISE DA SILVEIRA
Alagoana, marxista e revolucionária, Nise da Silveira ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia em 1921 como a única mulher numa turma de 157 estudantes. Graduou-se em 1926 com a tese ‘’Ensaios Sobre a Criminalidade da Mulher no Brasil’’, retornou a sua cidade natal, mas foi no Rio de Janeiro que Nise se estabeleceu e engajou-se na arte, na literatura e na política. Militou no Partido Comunista Brasileiro e, durante o Estado Novo, por sua militância, passou 15 meses no presídio Frei Caneca, onde compartilhou cela com Olga Benário e conheceu o escritor Graciliano Ramos, que a descreve em sua obra ’’Memórias de um Cárcere’’.
Extremamente humana, Nise enxergou a riqueza daqueles que até então estavam condenados a ‘’loucura’’ e a exclusão. Rebelou-se contra a psiquiatria tradicional que aplicava choques elétricos, isolamento, camisas de força, psicocirurgia e entre outros métodos que a remetiam as torturas do Estado Novo. Em 17 de abril de 1944 foi então reintegrada ao serviço público, no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, onde propôs um tratamento humanizado que usava a arte para reabilitar.
Foi pioneira das ideias da psiquiatria social, mas foi com a terapia ocupacional que seu trabalho ganhou notoriedade. Em 1954, criou a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação do Centro Psiquiátrico Pedro II, que ganhou grande reconhecimento com a criação de um atelier de pintura. As obras produzidas por seus pacientes já foram expostas nacional e internacionalmente e, em 1952, foi inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente, que guarda todo o acervo.
Introduziu animais como forma de reavivar afetividade dos pacientes e estabelecer um ponte com "mundo exterior’’, utilizou a arte como uma comunicação não verbal única e adequada para reabilitação. Nise conseguiu com a terapia ocupacional um alcance bem mais signif**ativo que formas tradicionais de psicoterapia. Com as pinturas, os desenhos e as modelagens de seus pacientes observou a recorrência de mandalas e de temas mitológicos e religiosos. Tal expressão viva do inconsciente a aproximou da psicologia Junguiana e do próprio Jung, com quem passou a trocar cartas discutindo a linguagem das produções dos artistas psicóticos da psiquiatra alagoana.
Nise foi uma mulher corajosa e a frente de seu tempo apontou as falhas da psiquiatria, questionou o modelo manicomial, contestou práticas e demonstrou soluções. Suas ideias derrubaram os muros do manicômio e deram a loucura uma outra perspectiva. Seus feitos foram e ainda são uma representação viva de resistência ao modelo manicomial e da capacidade da mulher de transformação.
Conheça mais sobre Nise da Silveira:
*Longa-metragem: "Nise– O Coração da Loucura" (Trailer): https://www.youtube.com/watch?v=UeAUNvcM_xk
*Nise da Silveira - Posfácio: Imagens do Inconsciente:
https://www.youtube.com/watch?v=EDg0zjMe4nA
*Fotobiografia: Nise da Silveira – Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde
http://www.denem.org.br/2017/03/06/semana-internacional-da-mulher/
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