27/01/2026
Quando falamos em transtorno bipolar, a distinção entre tipo I e tipo II não se resume à nomenclatura diagnóstica. Ela reflete diferenças na forma como a ativação patológica dos sistemas de energia, impulso e foco se organiza e se expressa clinicamente.
Na bipolaridade tipo I, a ativação assume a forma de mania, com aumento intenso de energia, redução clara da necessidade de sono, prejuízo do juízo crítico e comprometimento funcional evidente. A quebra de limites costuma ser observável, assim como os danos sociais, ocupacionais e relacionais.
Na bipolaridade tipo II, a ativação ocorre como hipomania. Não se trata de uma versão leve da mania. Trata-se de um estado sustentado de aceleração interna, com aumento de impulsividade, pressa psíquica, obstinação em objetivos específicos e estreitamento do repertório mental. A euforia exuberante não é o elemento central. Muitas vezes, o que predomina é a tensão interna contínua.
Nesses períodos, a pessoa pode ser percebida como mais fria, distante ou autocentrada. Isso não expressa traço de caráter. Reflete um estado de ativação que reduz a sensibilidade emocional, compromete a empatia e altera a forma de se vincular.
Por isso, a bipolaridade tipo II é frequentemente subdiagnosticada e confundida com traços de personalidade, rigidez emocional ou escolhas pessoais. Quando, na realidade, estamos diante de um estado patológico de ativação sustentada, com impacto cumulativo nas relações, na identidade e na trajetória de vida.
Reconhecer a hipomania não é rotular. É oferecer precisão diagnóstica, proteção dos vínculos e a possibilidade de interromper um curso de adoecimento que, sem nome, costuma ser atribuído à pessoa e não ao transtorno.