Dra Tadiane Luiza Ficagna

Dra Tadiane Luiza Ficagna Médica Psiquiatra
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Nem toda depressão é igual.Quando o padrão não é bem entendido, o tratamento pode até piorar o quadro.Na prática, muita ...
28/04/2026

Nem toda depressão é igual.

Quando o padrão não é bem entendido, o tratamento pode até piorar o quadro.

Na prática, muita bipolaridade passa anos sendo tratada como depressão unipolar.

E alguns sinais ajudam a diferenciar.

Existe uma sobreposição relevante entre TDAH e transtorno bipolar. Cerca de 20% dos pacientes com bipolaridade também tê...
26/04/2026

Existe uma sobreposição relevante entre TDAH e transtorno bipolar. Cerca de 20% dos pacientes com bipolaridade também têm TDAH, e essa relação também aparece no sentido inverso.

O desafio é que os sintomas se parecem. Impulsividade, desatenção, instabilidade emocional. Mas o que diferencia não é o sintoma isolado, e sim o padrão ao longo do tempo. No TDAH, os sintomas são contínuos, desde cedo. No transtorno bipolar, eles aparecem em episódios, com mudanças em relação ao funcionamento habitual.

Quando essa leitura não é feita com precisão, o tratamento pode não funcionar ou até piorar o quadro.

E quando os dois coexistem, a complexidade aumenta. Mais instabilidade, mais dificuldade de adesão, mais impacto na vida prática.

Por isso, na maioria dos casos, primeiro se estabiliza o humor. Depois, com o quadro mais claro, se avalia o que realmente é TDAH.

Na prática, uma das coisas que mais muda desfecho no transtorno bipolar é a escolha certa da medicação — e no paciente c...
24/04/2026

Na prática, uma das coisas que mais muda desfecho no transtorno bipolar é a escolha certa da medicação — e no paciente certo.

O lítio ainda é subutilizado, muitas vezes por receio ou por experiências ruins em perfis pouco favoráveis.

Mas quando você identifica o perfil clássico de boa resposta, o resultado pode ser muito diferente: estabilidade mais robusta, prevenção de recaídas e impacto real na evolução do quadro.

Nem todo bipolar é igual.
E tratar como se fosse costuma ser o começo do problema.

Na psiquiatria,o resultado não depende só da medicação.Depende de tudo o que acontece fora dela também.
07/04/2026

Na psiquiatria,
o resultado não depende só da medicação.
Depende de tudo o que acontece fora dela também.

Tem coisa na psiquiatria que não é difícil de entender.É difícil de fazer.Porque não depende só de saber o que precisa s...
25/03/2026

Tem coisa na psiquiatria que não é difícil de entender.
É difícil de fazer.

Porque não depende só de saber o que precisa ser feito.
Depende de conseguir fazer.

E, na prática, isso envolve rotina, energia, contexto, momento de vida…

Então não é raro ver isso aqui no consultório.

Não é falta de vontade.
Mas também não dá pra fingir que não impacta o tratamento.

Quando falamos em depressão, a maioria das pessoas imagina alguém sem energia, lento, desanimado, com dificuldade até pa...
23/03/2026

Quando falamos em depressão, a maioria das pessoas imagina alguém sem energia, lento, desanimado, com dificuldade até para sair da cama.

Mas existe um tipo de depressão que não se apresenta assim.

A pessoa está deprimida, sofre, sente desesperança…
mas ao mesmo tempo a mente está acelerada, irritada, inquieta.
Muitos descrevem como uma angústia constante, como se o cérebro não conseguisse desacelerar.

Na psiquiatria, chamamos esse quadro de estado misto.

Ele acontece quando sintomas depressivos aparecem ao mesmo tempo que sintomas de ativação do humor — como agitação, irritabilidade ou pensamento acelerado.

Esse padrão é importante por alguns motivos.

Primeiro, porque muitas vezes passa despercebido.
Não é raro que seja interpretado apenas como ansiedade, estresse ou “uma fase difícil”.

Segundo, porque quando depressão e impulsividade aparecem juntas, o sofrimento costuma ser ainda mais intenso — e o risco de comportamentos impulsivos também pode aumentar.

E talvez o ponto mais importante:
quando esse quadro é tratado como depressão comum, o tratamento pode não funcionar bem.

Nem toda depressão é igual.
E reconhecer essas diferenças muda completamente a forma de conduzir o tratamento.

“Se a dimensão do sofrimento humano fosse usada para decidir quais doenças merecem mais atenção médica, a depressão esta...
23/03/2026

“Se a dimensão do sofrimento humano fosse usada para decidir quais doenças merecem mais atenção médica, a depressão estaria no topo da lista.”

Esta frase foi citada por uma diretora da Cancer Research UK.

E eu pensei muito nisso.

Porque na prática clínica, vejo o quanto a depressão pode ser devastadora — às vezes mais incapacitante do que muitas doenças físicas graves.

Mas, paradoxalmente, ainda é uma das condições mais minimizadas socialmente.

Muitas pessoas passam anos ouvindo que é “frescura”, “fraqueza”, “falta de gratidão”.

Enquanto isso, continuam sofrendo.

Depressão não é falta de força.
Não é falta de caráter.
Não é falta de fé.

É uma doença que altera o funcionamento do cérebro — e que precisa de tratamento.

E quanto antes ela é reconhecida, maiores são as chances de recuperação.

Se esse post fez sentido para você, compartilhe.
Talvez alguém precise ler isso hoje.

Nem todos enxergam a mesma paisagem.Nem a vida da mesma forma.Nos transtornos psiquiátricos, o sofrimento muitas vezes n...
14/03/2026

Nem todos enxergam a mesma paisagem.
Nem a vida da mesma forma.

Nos transtornos psiquiátricos, o sofrimento muitas vezes não está apenas no que acontece.
Está na forma como o cérebro interpreta o que acontece.

Na depressão, a mente aprende a filtrar tudo pelo negativo.
Na ansiedade, o cérebro passa a antecipar ameaças que ainda nem existem.
No transtorno bipolar, a própria percepção da realidade pode oscilar junto com o humor.

Chamamos isso de distorções cognitivas.
Quando o cérebro começa a interpretar o mundo de forma enviesada.

A pessoa não está “pensando errado por escolha”.
Ela está vendo a vida através de uma lente alterada pelo próprio funcionamento do cérebro.

Por isso tratamento não é apenas “pensar positivo”.
Aliás, dizer isso para alguém que está atravessando uma fase aguda de um transtorno psiquiátrico revela ignorância e falta de empatia.

O tratamento é corrigir, pouco a pouco, essa lente.
Com psicoterapia, medicação e estratégias que ajudam o cérebro a reorganizar a forma de interpretar a realidade.

Quando a lente muda,
a mesma paisagem também muda.

E às vezes o mundo nunca esteve tão escuro quanto parecia.

“Ele está orientado.Está conversando normalmente.Então não podemos internar.”Essa é uma frase que muitas famílias escuta...
12/03/2026

“Ele está orientado.
Está conversando normalmente.
Então não podemos internar.”

Essa é uma frase que muitas famílias escutam quando procuram ajuda em uma emergência psiquiátrica.

Mas ela parte de uma compreensão incompleta do risco de suicídio.

Estar orientado significa apenas que a pessoa sabe quem é, onde está e que dia é.

Isso não diz quase nada sobre o risco real que ela pode estar correndo.

Muitas pessoas em risco grave de suicídio estão lúcidas, coerentes e conversando normalmente.
E mesmo assim podem tomar uma decisão fatal horas depois.

Na avaliação psiquiátrica, o que realmente importa não é apenas orientação.

É o conjunto de fatores de risco:

– presença de plano suicida
– desesperança intensa
– eventos estressores recentes
– história psiquiátrica
– uso de álcool ou dr**as
– tentativas prévias

Quando existe um plano suicida estruturado — quando a pessoa já pensou como, quando e onde vai fazer — o risco aumenta muito.

Nesses momentos, esperar que a pessoa “peça ajuda” ou simplesmente “mude de ideia” pode ser perigoso.

A internação psiquiátrica involuntária existe exatamente para essas situações:
quando a pessoa não consegue reconhecer o risco que está correndo e precisa ser protegida até que a crise passe.

Psiquiatria também salva vidas.

Às vezes salvamos com escuta.
Às vezes salvamos com medicação.
E às vezes salvamos interrompendo uma decisão que poderia ser irreversível.

Talvez seja por isso que a sua depressão não melhora.Uma das situações mais difíceis na psiquiatria é quando alguém pass...
10/03/2026

Talvez seja por isso que a sua depressão não melhora.

Uma das situações mais difíceis na psiquiatria é quando alguém passa anos tratando “depressão” e, mesmo fazendo tudo certo, o quadro continua voltando.

Troca de antidepressivo.
Aumento de dose.
Tentativa de novas medicações.

E a pessoa começa a pensar que o problema é ela.
Que o tratamento não funciona.
Ou que nunca vai melhorar.

Mas, em alguns casos, a explicação é outra.

Aquilo que parece uma depressão comum pode, na verdade, ser a fase depressiva de um transtorno bipolar.

E quando isso acontece, o tratamento muda completamente.

Porque o cérebro que oscila entre polos de humor não responde da mesma forma ao tratamento pensado para depressão unipolar.

Por isso, na avaliação psiquiátrica, não basta perguntar apenas sobre tristeza ou falta de energia.

É preciso entender o padrão ao longo da vida:

Quando começaram os primeiros episódios.
Quantas vezes eles voltaram.
Se existe história familiar.
Se já houve períodos de aceleração mental, irritabilidade ou diminuição da necessidade de sono.

Muitas vezes, são esses detalhes que mudam todo o diagnóstico.

E quando o diagnóstico muda, o tratamento também muda.

E finalmente começa a fazer sentido.

Se você conhece alguém que luta há anos com depressões que sempre voltam, talvez essa informação também ajude essa pessoa a entender melhor o que está acontecendo.

Informação correta, às vezes, é o primeiro passo para um tratamento que realmente funcione.

Muitos pacientes passam anos tratando o que parece ser apenas depressão.E, muitas vezes, os sintomas realmente se aprese...
09/03/2026

Muitos pacientes passam anos tratando o que parece ser apenas depressão.

E, muitas vezes, os sintomas realmente se apresentam dessa forma: tristeza, desânimo, falta de energia.

Mas quando investigamos com mais cuidado a história do humor ao longo da vida, às vezes aparecem outros elementos.

Períodos de energia incomum.
Redução da necessidade de sono.
Fases de grande produtividade seguidas por quedas importantes de humor.

Nem sempre essas fases são percebidas como parte de um transtorno.

Às vezes parecem apenas momentos em que a pessoa estava “melhor”.

Por isso, na psiquiatria, o diagnóstico raramente se baseia apenas no que o paciente está sentindo hoje.

Ele surge quando começamos a conectar padrões que se repetem ao longo do tempo.

Muitas famílias vivem uma situação que parece incompreensível.A pessoa chega na emergência dizendo que quer morrer.Horas...
08/03/2026

Muitas famílias vivem uma situação que parece incompreensível.

A pessoa chega na emergência dizendo que quer morrer.
Horas depois, volta para casa.

Isso costuma gerar revolta, medo e uma pergunta inevitável:

“Como deixaram ele sair?”

A avaliação de risco de suicídio é uma das decisões mais difíceis da psiquiatria.
Ela não depende apenas de um sintoma isolado, mas de um conjunto de fatores clínicos.

Entre eles:

– intensidade da desesperança
– presença de plano suicida
– impulsividade
– uso de álcool ou outras substâncias
– eventos estressores recentes
– história psiquiátrica e tentativas prévias

Um ponto importante que muitas pessoas não sabem:

estar orientado, lúcido e conversando normalmente não exclui risco de suicídio.

Alguém pode estar perfeitamente orientado e ainda assim atravessar uma crise em que a própria vida está em perigo.

Quando existe plano suicida estruturado, o risco costuma ser considerado alto.

Nesses casos, a internação psiquiátrica pode ser necessária mesmo contra a vontade do paciente.

Não como punição.

Mas como uma forma de proteger a vida naquele momento crítico.

Crises passam.
Estados mentais mudam.
Decisões irreversíveis não.

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