18/10/2025
O ano era 1999.
Apenas um caderno espiral, algumas canetas e um sonho: ser médica.
Os primeiros anos são árduos. Quase sem contato com “medicina”, ao nosso ver.
Uma tonelada de matérias básicas, sem computadores, sem celular, sem IA.
Uma biblioteca com livros pesados, poucos artigos acessíveis após dias esperando chegar, milhões de xerox de lâminas de retroprojetor.
Um caderno impecável, meu orgulho! O “pink book”, xerocado pela turma toda e por outras.
Depois vem as práticas! E aí sim, agora quase médicos!
Estudantes empolgados, fazendo estágio nos mais diversos hospitais, nos longínquos interiores (sem internet por uma semana), nos PS cheios de emergências, nas UTIs, procurando apurar a mão nos procedimentos.
E assim foram 6 anos, longos e mas tão rápidos!
Será que aprendemos tudo?
Como atender um paciente sozinho, sem preceptor, sem Google, sem outra mão pra assinar a receita??
A residência médica fortificou a base. Deu segurança! Mas judiou, e como!
Posso falar da de Pediatria e Neonatologia com convicção.
Nada fácil.
Colocados a prova todos os dias, mentalmente, fisicamente, espiritualmente.
Saímos fortes e corajosos!
Médicos de verdade!
Com vontade de trabalhar, fazer a diferença na vida dos nossos pacientes.
Sem post no Instagram, sem seguidores comprados, nosso “marketing” é nosso trabalho. Atender no SUS pra ser “conhecido”.
Atender com carinho e atenção! Assim, talvez possamos “sonhar” com um consultório privado.
Nos últimos anos, absorvemos muita tecnologia, muita informação desencontrada.
Nos adaptamos (com as devidas ressalvas, pois somos “médico raiz”).
Seguimos em frente.
Há 21 anos formada médica, ainda com muito a aprender, a melhorar. Mantendo minha essência lá de trás.
Primeiro o paciente.
Depois o supérfluo.
Primeiro a base.
Depois a “perfumaria”
Seguimos assim pelos próximos anos, sendo o melhor para aquele que precisa de mim no seu momento de fragilidade.
Feliz dia do Médico para aqueles que continuam escolhendo o caminho mais difícil: da ética em tempos de marketing; da ciência em tempos de promessas fáceis; da compaixão em tempos de relações frágeis.
Que São Lucas nos guie pelo melhor caminho, sempre!