22/12/2025
aqui que reside a armadilha mais sutil da espiritualidade moderna. Ao forçar a imobilidade sem antes regular o sistema, muitos não alcançam a presença, mas a ausência. Confundem o entorpecimento da dissociação com serenidade. É um “bypass” espiritual: a prática vira uma performance estética onde o meditador posa de estátua. Por fora, quietude; por dentro, uma fuga nebulosa. O ego, astuto que é, esconde-se no silêncio artificial, e a alma se mantém faminta pela integração.
Mas a sabedoria do Yoga antecipou esse dilema. O corpo precisa ser trabalhado antes da mente ser transcendida. O movimento e a respiração vigorosa agem como uma engenharia reversa no sistema nervoso: “queimam” o excesso de mobilização e regulam o nervo vago, o mediador da nossa segurança interna. Essa preparação sinaliza ao organismo que a ameaça cessou. Não se trata de facilitar a meditação para fugir do desconforto, mas de criar uma fundação biológica robusta. Só quando o corpo para de gritar é que a consciência consegue, de fato, falar.
A meditação não é decoração para uma casa desorganizada. É arquitetura. E arquitetura exige fundação.
No livro “Você, Reimaginado”, descrevo justamente essa construção: uma reeducação da atenção e do corpo para que a consciência não seja uma visitante ocasional. A disciplina mental só funciona de verdade quando o corpo não está em guerra.
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