21/01/2026
Eu não pretendia me posicionar sobre essa reportagem.
Mas achei importante falar, porque infelizmente eu vivo isso diariamente.
Há cerca de 10 anos, quando me formei, a concorrência para Medicina era altíssima.
Estudei muito, demorei mais de um ano para passar e, na época, me sentia injustiçada.
Hoje, olhando para trás, entendo:
aquilo foi necessário para “afunilar” quem realmente queria ser médico, e não apenas quem buscava status.
Nos últimos anos, o país aumentou de forma expressiva a oferta de vagas em Medicina.
A concorrência já não é a mesma.
Entrar na faculdade se tornou mais fácil — mas isso não pode significar queda na qualidade da formação.
Não vou ser hipócrita:
para formar médicos, é preciso estrutura, campo prático e professores dignos de serem chamados de professores.
E aqui faço um parêntese importante:
👉 Nós, professores, temos uma responsabilidade enorme.
Não estamos ensinando apenas conteúdo. Estamos formando cidadãos e profissionais que vão cuidar de vidas — inclusive da minha mãe, dos meus filhos, da sua família.
Na Pediatria eu sempre digo:
não adianta dar lição sem dar exemplo.
Criança aprende vendo.
Aluno também.
Agora, se você é estudante de Medicina — independente da nota da sua faculdade:
• Se a nota foi boa, lembre-se: não basta ter orgulho se você não fez parte da construção dessa nota.
• Se a nota foi ruim, faça a sua parte.
Assuma o protagonismo da sua formação.
Se pergunte:
– Estou estudando por fontes e plataformas com evidência científica ou só por slides resumidos?
– Participo de ligas, estágios extracurriculares, monitorias?
– Invisto em cursos, congressos, construção de currículo?
– Estou me preparando de verdade para a residência?
👉 Façam residência.
Em locais com credibilidade.
São anos decisivos, que vão moldar sua prática e serão referência para toda a sua vida profissional.
Nossa profissão lida com VIDA.
E essa vida pode ser, um dia, a de alguém que você ama.
Trate seu paciente como você gostaria de ser tratado.
Porque esse papel pode se inverter facilmente:
de médico, passamos a pacientes.
E deixo a reflexão final:
você é o médico que gostaria de encontrar para cuidar de você e da sua família?