24/09/2025
✨ Comunicação, Produtivismo e Saúde Mental
A forma como nos comunicamos nunca é neutra. Muitas vezes, sem perceber, reproduzimos uma linguagem que sustenta hierarquias e nos afasta de nós mesmas. Palavras como “eu deveria”, “eu tenho que” ou “isso está errado” nos condicionam a obedecer, a seguir padrões impostos e a buscar aprovação externa.
Na lógica produtivista, isso se intensifica. Somos ensinadas a medir nosso valor pelo quanto produzimos, pela velocidade com que entregamos e pela quantidade de tarefas que conseguimos concluir. Essa lógica da produtividade é um modo de organizar a vida e o tempo que transforma tudo em produção contínua: trabalho, resultados, desempenho, e até momentos de descanso ou autocuidado passam a ser avaliados como “produtivos” ou “desperdiçados”.
Assim, a comunicação alienante se mistura à cultura do desempenho: “eu devia ser mais rápida”, “eu tenho que dar conta de tudo”, “está errado descansar agora”.
Na leitura psicopolítica de Byung-Chul Han, já não precisamos de vigilância externa: nós mesmas nos tornamos fiscais de nossas ações, internalizando cobranças infinitas. O sofrimento mental deixa de ser apenas uma questão individual e se torna sintoma de um sistema que explora vulnerabilidades emocionais para manter a ordem social e produtiva.
Esse tipo de discurso nos desconecta das nossas necessidades reais e sustenta estruturas que lucram com nosso cansaço e obediência. Cuidar da saúde mental, nesse cenário, significa criar condições concretas que sustentem a vida: tempo real para descanso, acesso a direitos básicos como saúde, educação e moradia digna, e políticas de cuidado integral que valorizem o ser humano além da lógica da produtividade.
A Comunicação Não Violenta (CNV) é uma abordagem teórica e prática da comunicação que propõe observar sem julgamentos, identificar nossos sentimentos e necessidades e expressá-los de maneira clara e respeitosa. Ao aplicá-la, favorece a regulação emocional, a consciência de si e do outro e a construção de relações interpessoais mais equilibradas. Dessa forma, a CNV atua como um recurso que promove saúde mental, reduz sofrimento psíquico e fortalece o bem-estar coletivo, ao incentivar interações baseadas na empatia, no cuidado e na compreensão mútua.
Lidiane L. Bastos
CRP 06/100716