Pediatria - Tire suas dúvidas

Pediatria - Tire suas dúvidas Dicas sobre a saúde da criança. Página destinada a orientações diversas sobre a saúde da criança. Aberta a perguntas e esclarecimentos.

Não visa substituir a consulta do pediatra (logicamente, rs); é apenas um modo "bacana" e descontraído de se informar sobre o assunto. Entrem e sintam-se a vontade.

28/11/2017

Estima-se que 1 a 17% das crianças menores de 3 anos apresentam sintomas sugestivos de alergia à proteína do leite de vaca. Porém, ao realizar a investigação diagnóstica de forma correta apenas 2 a 3% dessas crianças são realmente alérgicas ao leite. Por isso, é importante conversar com um gastropediatra para que ele possa investigar. Veja alguns sintomas da alergia:
🍼 Dificuldade para engolir;
🍼 Impactação alimentar (sensação de alimento parado na garganta);
🍼 Dificuldade de digestão;
🍼 Falta de apetite, recusa alimentar;
🍼 Saciedade com pouca quantidade de alimento;
🍼 Regurgitação (golfos) frequente;
🍼 Vômitos;
🍼 Cólicas intensas;
🍼 Diarreia com ou sem perda de proteínas, sangue ou muco**;
🍼 Intestino preso;
🍼 Sangue nas fezes;
🍼 Assadura na região a**l;
🍼 Dificuldade no ganho de peso.

23/07/2017

COMO ALIVIAR AS CÓLICAS DO BEBÊ

A ocorrência de cólicas nos primeiros meses de vida é uma situação muito comum, acometendo cerca de 1 em cada 2 bebês menores de 4 meses.
Ao contrário dos adultos, o termo cólica nos bebês é empregado de forma mais ampla para descrever os quadros de choro prolongado sem causa definida. Quando dizemos que um bebê tem cólicas, isso não necessariamente indica que ele apresente dor abdominal, mas sim um quadro de choro e/ou irritabilidade frequente e, muitas vezes, demorada.
Neste artigo vamos explicar as cólicas do bebês, abordando os seguintes pontos:
O que são as cólicas do bebê.
Causas de cólicas nos primeiros meses de vida do bebê.
Como aliviar as cólicas no recém-nascido.

O que são as cólicas do bebê

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê é praticamente um feto fora do útero. Seu sistema nervoso é muito imaturo e os estímulos do meio externo são mais intensos e muito diferentes do que eram dentro da barriga da mãe. Pense bem, o bebê assim que nasce passa a ser exposto a variações de luz, barulho, temperatura, posição, movimentos, tato, cheiros, umidade, etc. Para alguns bebês, as crises de choro são como uma válvula de escape para todo o estrese acumulado ao longo do dia.
O que chamamos de cólicas do bebê não são necessariamente cólicas reais, ou seja, contrações dolorosas dos intestinos. Todo bebê que frequentemente chora de forma prolongada e se mostra muito irritadiço, sem que isso possa ser atribuído a qualquer doença, fome, sono ou fraldas sujas, podem ser considerados como portadores de cólica.
Qualquer criança, tenha ela cólicas ou não, chora mais nos primeiros 3 ou 4 meses após o nascimento do que em qualquer outro momento da sua vida. Bebês choram sem motivo aparente. Isso é um fato. Porém, há bebês que parecem sofrer além da média. Há estudos que mostram que nos primeiros meses de vida, os bebês choram em média 2 horas por dia. Conforme vão f**ando mais maduros, esse tempo de choro vai se reduzindo progressivamente.
Não há uma definição exata que nos permita dizer que tal bebê tem cólicas e tal bebê não tem. Em geral, podemos dizer que um bebê sofre de cólicas quando ele chora mais de 3 horas por dia, mais de 3 vezes por semana, por mais de 3 semanas. É lógico que ninguém precisa f**ar marcando no relógio o tempo de choro do bebê ao longo do dia para fazer o diagnóstico de cólica. Esses números são só uma base de orientação para as mães saberem, mais ou menos, o que é normal e o que é exagerado.
Na verdade, apenas 30% dos bebês considerados como portadores de cólicas pelas mães realmente apresentam quadros de choro acima da média. As mães parecem notar a ocorrência de cólicas com mais frequência no primeiro filho. Muito provavelmente isso ocorre porque as mães de primeira viagem não têm uma base de comparação e acabam achando que o seu bebê chora além do normal. Quando o segundo filho nasce, a tendência é elas estarem mais experientes e o choro já não lhes causa tanto estresse.
Mas a cólica do bebê é mais do que apenas choro excessivo sem causa aparente. Além do tempo prolongado de choro, a cólica pode ter as seguintes características:
– Choro de início e término súbitos em um bebê aparentemente saudável fora das crises. As crises de choro geralmente ocorrem a partir do entardecer. – A mãe consegue reconhecer que o choro da cólica é diferente dos choros habituais relacionados à fome, sono ou outros desconfortos. O choro da cólica tende a ser mais agudo, às vezes, semelhante a gritos, como se o bebê estivesse em sofrimento. – O bebê nas crises torna-se inconsolável. Nada do que a mãe faz parece ser suficiente para acalmar o bebê. – O bebê com cólicas tende a contrair sua musculatura, como se realmente estivesse tendo uma cólica abdominal. Às vezes, o choro melhora após a eliminação de fezes ou gases. Daí a origem do termo cólica para esse tipo de choro sem causa aparente.
A hipótese do choro ser causado por uma cólica real é muito atrativa e parece justif**ar todos os sintomas do bebê. Porém, quando esse bebês são estudados, não se consegue apontar alterações inequívocas a nível gastrointestinal, seja em produção de hormônios, velocidade do trânsito intestinal ou intensidade das contrações co cólon, que indiquem a existência de uma cólica abdominal real. Há que se destacar, porém, que alguns estudos apontam para uma maior produção de gases intestinais nos bebês que apresentam cólicas. É razoável pensar que alguns desses bebês realmente apresentem cólicas, mas isso não consegue ser provado em todos os casos.

Causas de cólicas nos primeiros meses de vida do bebê

As cólicas dos bebês não parecem ser um problema de causa única. Na verdade, é possível que vários problemas diferentes se manifestem de forma semelhante, o que justif**a a dificuldade dos médicos em determinar uma causa comum para a cólica de tantas crianças.
Dezenas de fatores já foram propostos como possíveis gatilhos para as cólicas. Nada, porém, é claramente comprovado. Entre os fatores que teoricamente podem desencadear crises, podemos citar:
– Intolerância ao leite de vaca. – Intolerância ao sorbitol, açúcar presente em sucos de frutas. – Imaturidade do sistema gastrointestinal, que apresenta maior dificuldade em digerir carboidratos, o que leva a uma maior produção de gases por bactérias intestinais. – Diferenças na flora bacteriana intestinal. Bebês com menos lactobacillus e mais bactérias, como E.coli e Klebsiella, parecem ter uma maior incidência de cólicas. – Maior deglutição de ar durante a amamentação. – Mães que fumam tem maior risco de terem bebês com cólicas. – Refluxo gastroesofágico. – Ambiente familiar estressante. – Hiperestimulação do bebê ao longo do dia (com luzes, sons e atividades). – Temperamento pessoal do bebê. – Alimentação da mãe. Algumas comidas na dieta da materna podem incomodar os bebês que ainda fazem aleitamento materno.
O mais importante é ter certeza que as crises de choro não estão sendo provocadas por problemas de saúde, como assaduras, infecção urinária ou de ouvido, hérnias, fraturas não diagnosticas, asma, etc. Na verdade, até um fio de cabelo da mãe enroscado em um dos dedos do pé da criança podem provocar crises de choro.
Por definição, as cólicas ocorrem em bebês saudáveis. Se houver algum problema de saúde por trás causando o choro, isso não pode ser considerado cólica do bebê.
Como aliviar as cólicas no recém-nascido
As cólicas costumam surgir a partir da segunda semana de vida e desaparecem espontaneamente até o 4º mês. Elas não têm nenhum signif**ado clínico mais grave além do estresse que provocam nos pais.
O tratamento da cólica do bebê tem como objetivo amenizar as crises de choro e impedir que o problema afete a relação conjugal e a própria relação dos pais com a criança. O primeiro ponto é entender que sentimentos de frustração, raiva, culpa, agressividade e exaustão são perfeitamente normais em pais de bebês com cólicas.
Para prevenir as crises de choro
É importante reduzir a quantidade de estímulo que o bebê recebe ao longo dia, assim como evitar variações de temperatura, barulho e claridade. Um ambiente familiar calmo e saudável também faz diferença. Se o bebê tem noites horríveis, procure rever que eventos ocorreram durante o dia, tipo visitas de família, passeios na rua, exposição a barulhos e músicas, exposição à televisão, etc. Tente reconhecer fatores super estimulantes que possam ter deixado o bebê estressado ao longo do dia, com necessidade de extravasar à noite.
As mães que amamentam devem fazer um diário tentando encontrar relação entre a dieta e as crises choro. Alimentos como chocolate, feijão, repolho, ovos, leite, couve-flor e outros, podem causar desconforto ao bebê. Às vezes, não é um alimento específico, mas sim uma alteração súbita da dieta. O importante é testar para ver se resulta.
Alguns pró-bióticos, como o Lactobacillus reuteri, parecem ajudar a prevenir as crises. Medicamentos para controlar os gases, como dimeticona (simeticona), são inef**azes. Às vezes, algumas gotinhas destes remédios ajudam a parar o choro por serem eles docinhos. Duas ou três gotas na chupeta costumam a ajudar. Mas isso tem um efeito apenas temporário, não servindo para prevenir as cólicas.
Alguns medicamentos homeopáticos utilizados para tratar cólicas dos bebês, além de não terem efeitos, podem piorar o quadro. Substâncias como colocynthis, Veratrum album ou strychnos nux-vomica podem ser tóxicas e já foram encontradas em alguns destes medicamentos.
Exceto pelo uso de pró-bióticos, que só deve ser administrado com autorização do pediatra, não indicamos nenhum outro tipo de medicamento para o bebê com cólicas. Nenhum possui comprovação científ**a de eficácia e muitos podem ser danosos ao bebê. Sedar o bebê, então, nem pensar.
Para acalmar o bebê durante uma crise de choro
Algumas técnicas ajudam a interromper o choro incontrolável. Andar de carro, ligar um secador de cabelo ou aspirador de pó perto do bebê, massagens com hidratantes e oferecer o peito para mamar podem ajudar. É importante colocar o bebê para arrotar sempre que ele terminar de mamar. Mesmo que leve meia hora, evite deitar o bebê sem ele ter arrotado antes.


Como aliviar a cólica no bebê.

Oferecer a chupeta, mantê-lo colado ao seu corpo e niná-lo são técnicas que também ajudam. Não se preocupe em “mimar” o bebê. Nesta fase tão inicial da vida, isso não é um problema.
Alguns bebês se sentem mais seguros se forem enrolados em mantas, de forma a prender o seus braços, evitando que o mesmos tenham movimentos involuntários. Há mantas feitas especialmente para “amarrar” o bebê de forma confortável, como na foto ao lado.
Se o choro não passar, é importante revezar os pais. Depois de vários minutos ouvindo choros e gritos, qualquer pessoa f**a nervosa, o que dificulta o controle do bebê. Se você está no seu limite e não há ninguém para substitui-la, deixe o bebê o berço de forma segura e se afaste por alguns minutos para descansar a cabeça. Pais à beira de um ataque de nervos só agravam a situação.
Um pediatra americano, chamado Harvey Karp, ficou famoso nos últimos anos por ter lançado livros e DVDs que ensinam técnicas para acalmar o bebê que chora descontroladamente. O seu livro “O bebê mais feliz do pedaço” é um best-seller mundial e apresenta várias dicas de como acalmar os bebês.

24/02/2017

Síndrome de Asperger

A Síndrome de Asperger (ou Transtorno de Asperger, ou simplesmente Asperger) foi descrita em 1944 pelo médico austríaco Hans Asperger, e se caracteriza por dificuldades na interação social, uma linguagem bem peculiar e um repertório bem restrito de interesses.
Na realidade, é uma das formas de apresentação do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Resumidamente: o autista “vive no seu próprio mundo” e o Asperger “vive no nosso mundo ao seu próprio modo”.
Na prática, poderia ser considerada como uma forma mais leve de autismo, porque tem todas as características do grupo dos TEA, ainda que em intensidade e qualidade diferentes.

Como diferenciar autismo e Asperger?
A maior diferença entre autismo e Asperger está na linguagem. Enquanto algumas crianças com TEA têm muitos problemas na linguagem (ou até não falam), os Asperger falam adequadamente, às vezes até “certo demais”. Muitas vezes os pais dizem que eles “falam como se fossem adultos” desde cedo.
Apesar de presente desde o início, a linguagem dos Asperger costuma ser diferente, com um ritmo próprio e pouco usual, às vezes pedante ou rebuscada.
Nos Asperger, a inteligência está preservada – pode inclusive haver alguns pacientes superdotados –, mas permanecem as dificuldades em entender as “pistas sociais”, como no grupo dos TEA. Por serem inteligentes, podem se dar conta das suas diferenças e f**ar ansiosos ou até deprimidos. Também não é raro que possam sofrer bullying pelo modo ingênuo de encararem os fatos.

Como é feito o diagnóstico?
Pode ser que o diagnóstico de Asperger seja feito com atraso, já na adolescência, pois alguns casos podem passar despercebidos por anos a fio. Eventualmente as crianças recebem outros diagnósticos, que vão mudando com o passar do tempo.
Infelizmente, não há nenhum exame de laboratório capaz de estabelecer o diagnóstico. Ele é feito de forma “artesa**l”, baseado numa criteriosa avaliação feita a partir da experiência prévia do médico.
É muito importante considerar, no entanto, que características individuais da personalidade podem eventualmente confundir os diagnósticos. É fundamental conversar com o seu pediatra e com um neuropediatra, sempre que possível, para evitar diagnósticos precipitados.

Como é feito o tratamento?
Assim como não existe medicação específ**a para autismo, também não existe medicação específ**a para Asperger. O tratamento envolve medicação para algum sintoma que esteja causando prejuízo (o mais comum é a ansiedade), associada a um tratamento não medicamentoso mas que envolve acompanhamento com psicólogo, psicopedagogo ou outro profissional, dependendo de cada caso.
De modo geral, o prognóstico dos casos de Asperger é bom, pois a inteligência e a linguagem estão preservadas.

Fonte: Departamento Científico de Neurologia da SBP

17/02/2017

Autismo

O autismo infantil, hoje chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem como principais características a falta de reciprocidade – quando a criança não responde aos estímulos; a dificuldade de interação social e de estabelecer relacionamentos, e problemas na fala.
Descrito pelo psiquiatra Leo Kanner em 1943, hoje as características clínicas do Transtorno do Espectro Autista são mais amplas, o que torna mais fácil o diagnóstico e a intervenção precoce.
Os problemas de desenvolvimento e comportamento são diagnosticados em uma a cada seis crianças, em média. Porém, o diagnóstico dentro do espectro autista pode ocorrer entre cinco e sessenta casos a cada 10.000 nascidos. É uma doença que é três vezes mais frequente em meninos.
Geralmente, os pais conseguem identif**ar quando algo está errado em relação ao desenvolvimento de seu filho. Para isso, é importante que estejam atentos, pois sinais discretos de autismo podem estar presentes antes dos 18 meses de idade. Hoje se sabe que em 25% dos casos os sinais iniciam no primeiro ano de vida, 50% no segundo ano, e 25% a partir do terceiro ano de vida.

Alerta
Uma criança que apresenta comportamentos estranhos, atraso no desenvolvimento da linguagem, falta de reciprocidade e interação social, ou ainda atraso na comunicação verbal ou não verbal e um repertório restrito de atividades ou de interesses merece uma atenção especial. Em qualquer destes casos, os pais devem comunicar ao pediatra. A intervenção precoce, realizada por uma equipe multidisciplinar formada pelo pediatra, acompanhado de profissionais das áreas de psiquiatra infantil, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional é fundamental para melhorar a qualidade de vida da criança e sua família.
Atualmente, o Transtorno do Espectro Autista é considerado um distúrbio complexo do desenvolvimento, com múltiplas causas. Não existe uma conclusão definitiva sobre os mecanismos genéticos envolvidos na doença, e nem de outros fatores que agridem o Sistema Nervoso Central, como doenças metabólicas e infecções que acometem o feto durante a gravidez (rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose).
Trata-se de uma doença complexa, com múltiplas causas e variados graus de comprometimento, que exigem um diagnóstico e intervenção precoce, possibilitando assim a redução dos sintomas com a possibilidade de aquisição da linguagem verbal e melhora da reciprocidade social, permitindo à criança maior autonomia e sua inclusão social.

Fonte: Departamento de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP

10/02/2017

Diabetes Melito

O diabetes melito é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Os tipos mais comum são o 1 e o 2. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes mostram que atualmente o Brasil possui mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população. E o número está crescendo. O diagnóstico tardio favorece o aparecimento de complicações. A seguir, dr. Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), esclarece as principais dúvidas sobre a doença que acomete crianças, adolescentes e adultos em qualquer idade.

1) O que é diabetes melito?

- Diabetes melito é uma doença na qual o nível de um açúcar, chamado glicose, está alto no sangue. Isso ocorre pela deficiência de insulina, uma substância (hormônio) produzida pelo pâncreas, um órgão localizado no abdome atrás do estômago. A principal função da insulina é fazer com que o açúcar proveniente dos alimentos possa entrar nas células e seja transformado em energia. No diabetes, o açúcar absorvido pelo intestino e levado para o sangue não consegue entrar nas células devido a falta de insulina. Sem poder entra nas células, o açúcar aumenta sua quantidade no sangue causando a hiperglicemia (glicose elevada no sangue), que é a principal manifestação da doença.

2) Quantos tipos de diabetes existem?

- Existem vários tipos de diabetes melito. Os dois tipos principais são o tipo 1 e o tipo 2. Além deles, existem outros tipos como, por exemplo, o diabetes melito causado por medicamentos, por doenças e pela gravidez (diabetes gestacional).

3) O diabetes que mais acomete crianças é o do tipo 1, certo? Como diferenciar diabetes tipo 1 do tipo 2?

- Sim, o diabetes melito que mais acomete crianças e adolescentes é o do tipo 1. Ele é uma doença autoimune causada pela produção de anticorpos que levam a destruição das células do pâncreas que produzem insulina. Por isso, a pessoa portadora desse tipo de diabetes necessita do uso de insulina para mantê-lo controlado. O diabetes melito tipo 2 é mais frequente em adultos acima de 35-40 anos. Mas, recentemente, tem-se observado um aumento do número de adolescentes com esse tipo de diabetes devido a crescente prevalência de obesidade nessa faixa etária. No diabetes melito tipo 2 a produção de insulina está presente, mas é incapaz de manter a glicemia normal, por isso, muitas vezes ele pode ser tratado com antidiabéticos orais (comprimidos que ajudam a insulina a trabalhar).

4) Como o diabetes se manifesta?

- O açúcar que não pode entrar nas células devido a falta de insulina vai aumentando sua quantidade no sangue (hiperglicemia) até chegar a um ponto em que o excesso tem de ser colocado pra fora pela urina. Isso faz com que a pessoa passe a urinar várias vezes ao dia e em grande quantidade. Para compensar essa perda de água pela urina, a sede aumenta e a pessoa passa a beber mais água. Como as células não podem usar o açúcar, o organismo tem de usar gordura em substituição a glicose, o que leva a perda de peso. Então, as principais manifestações que fazem pensar que uma criança ou adolescente tenha diabetes são: muita sede, muita fome, perda de peso e aumento da frequência e quantidade de urina.

5) O diabetes é mais grave quando se manifesta ainda na infância? Por quê?

- Sim. Crianças e jovens, como recém-nascidos e lactentes não conseguem expressar os sintomas clássicos do diabetes. Por isso, o reconhecimento dos sintomas é mais tardio e muitas vezes o diagnóstico só é feito quando a criança já apresenta cetoacidose diabética (complicação grave da hiperglicemia não tratada). Sendo assim, os médicos devem estar atentos para manifestações que sugiram diabetes nessa faixa etária. Por exemplo: fome inexplicável, choro ao terminar a mamadeira oferecida no volume habitual, querer beber água do banho ou sugar a toalha molhada, troca mais frequente de fraldas, fraldas que f**am mais pesadas, perda de peso ou ganho insuficiente de peso, etc.

6) O diabetes tipo 1 só acomete crianças e por isso é chamado de “diabetes tipo 1 infantil” ? O diabetes tipo 2 não atinge as crianças?

- Como vimos, o diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças, mas também pode ocorrer em adultos jovens. Por isso, não se deve utilizar o termo “diabetes juvenil”. Embora o diabetes tipo 2 ocorra predominantemente em adultos, recentemente tem-se observado um aumento de adolescentes com esse tipo de diabetes devido ao amento do número de crianças obesas nessa faixa etária. Então, a prevenção ao excesso de peso em crianças é importante para evitar que elas venham desenvolver o diabetes tipo 2, uma doença, no passado, restrita aos adultos.

7) É um diagnóstico muito assustador para os pais. Como é o tratamento normalmente?

- Como qualquer doença crônica, e que requer tratamento para o resto da vida, esse é um diagnóstico difícil para os pais e para a criança. Mas o diabetes melito é uma doença que, se adequadamente tratada, permite à criança ter uma vida normal. O tratamento do diabetes na criança deve ser feito por um Endocrinologista Pediátrico, juntamente com uma equipe multidisciplinar composta por nutricionista, psicólogo, enfermeiro e educadores em diabetes. Esse tratamento é oferecido gratuitamente e com qualidade pelos serviços especializados presentes nos ambulatórios da maioria das faculdades de medicina em todo o país. O diabetes melito tipo 1 é tratado pela combinação de: reposição de insulina, atividade física regular, alimentação saudável e monitoração domiciliar da glicemia.

8) No que o diabetes interfere no cotidiano da criança?

- O tratamento do diabetes modif**ará um pouco o cotidiano da criança. Essas modif**ações serão mais sentidas no período logo após o diagnóstico, quando tudo ainda é novo e assustador. Mas, com o tempo, a “poeira baixará”, e com ajuda da equipe médica, orientando, educando e dando suporte, logo essas alterações, a principio novas, entrarão na rotina. Os principais fatores que interferem no cotidiano da criança com diabetes são: necessidade de checar glicemia várias vezes ao dia, não poder comer “tudo o que quiser na hora que desejar” e ter de aplicar a insulina (injeção subcutânea) algumas vezes por dia.

9) Como é quando a criança já está na escola? Há cuidados a mais a serem tomados?

- A criança e o adolescente permanecem na escola grande parte do seu dia. Por isso, o diretor, professores e funcionários devem receber, por escrito, informações de que aquele aluno tem diabetes e quais as possíveis complicações que podem ocorrer na escola. Assim, devem ser informados sobre hipoglicemia (açúcar baixo no sangue) e hiperglicemia (açúcar alto no sangue) e também terem os telefones dos pais e de alguém da equipe médica para que possam entrar em contato, se necessário.

10) O que esperar para o futuro do diabetes?

- O diabetes melito tipo 1 é uma doença tratável, como são muitas outras em medicina como a hipertensão arterial e dislipidemia. Embora não exista uma cura nesse momento, vários progressos já ocorreram nos últimos anos: insulinas mais modernas e ef**azes, agulhas que possibilitam injeções indolores, monitores domiciliares de glicemia, monitores de glicemia que não necessitam furar o dedo, bombas de infusão de insulina, insulina inalável. Além disso, milhares de pesquisadores em todo o mundo estudam o diabetes, tanto para preveni-lo como para melhor trata-lo e até mesmo curá-lo (ex: transplante de células beta ou células tronco). Portanto, vamos aproveitar os recursos existentes e levar uma vida normal (brincar, estudar, trabalhar, namorar, casar, ter filhos). Caso alguma novidade surja, você estará em perfeitas condições de saúde para aproveitá-la. Tenha saúde e seja feliz.

Fonte: sbp.com.br

09/02/2017

Quando as crianças f**am doentes, muitas famílias preferem correr para o hospital a marcar uma consulta com o médico dos pequenos, mesmo nos casos mais brandos. Mas é a melhor opção?

03/02/2017

Intolerância a Lactose

O Departamento Científico (DC) de Nutrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) elaborou um pequeno questionário para ajudar médicos e pacientes a entenderem as questões ligadas à intolerância à lactose, ou seja, a incapacidade do organismo de absorver adequadamente um dos carboidratos presente no leite (lactose).

A forma correta de tratar o problema costuma causar muitas dúvidas entre os pais. Para ajudar a sociedade a ter uma melhor compreensão sobre o tema a dra. Jocemara Gurmini, membro do DC, preparou 10 perguntas e respostas mais frequentes sobre o tema. A seguir, o leitor encontrará orientações gerais sobre o transtorno, que podem ser muito úteis.

No caso dos bebês, alergia ao leite e intolerância à lactose são a mesma coisa?
A alergia ao leite de vaca e a intolerância à lactose são enfermidades diferentes. Na intolerância à lactose estamos falando sobre um carboidrato (lactose) que não provoca reações alérgicas, mas que por não ser absorvido de forma adequada é processado pelas bactérias intestinais formando gases e causando sintomas de desconforto abdominal, cólicas, distensão, flatulência, evacuações amolecidas, às vezes explosivas, e dermatite perineal. A alergia ao leite envolve a proteína, que, neste caso, ultrapassa a barreira mucosa do intestino delgado e chega à corrente sanguínea. Fenômenos alérgicos variados podem ocorrer, como sintomas digestivos (evacuações amolecidas, sangue nas fezes, vômitos, baixo ganho de peso) ou reações em outros aparelhos e sistemas (urticária, eczema ou, em casos mais graves, choque anafilático).

Em que idade costuma aparecer os sintomas da intolerância?
A intolerância à lactose pode ser primária, como a deficiência do prematuro; a congênita (rara); e a do tipo adulto ou ontogenética. A intolerância à lactose secundária ocorre devido a algumas doenças que levam a alterações na mucosa intestinal, alterando o tamanho das vilosidades, área onde a lactase (enzima que digere a lactose) é produzida. Tal fato pode ocorrer na doença celíaca, enterite infecciosa, desnutrição, entre outras. Outro dado importante refere-se ao fato de ser a intolerância à lactose dose-dependente, isto é, talvez pequenos volumes de leite ou derivados sejam bem tolerados. Algumas crianças toleram 1 a 2 copos de leite ao dia sem presença de sintomas. A ingestão concomitante de sólidos aumenta o tempo de esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal, permitindo maior tempo de ação da lactose endógena. Assim, cuide para ter uma ingestão adequada de cálcio ou, caso necessário, suplementação medicamentosa. Já na alergia, um pequeno volume já é o suficiente para os sintomas aparecerem.

Quais são os sintomas em adultos e em crianças? São os mesmos?
A quantidade de lactose necessária para desencadear os sintomas varia de indivíduo para indivíduo, dependendo da porção de lactose ingerida, do grau de deficiência de lactase e do tipo de alimento com o qual a lactose foi ingerida. Os principais sintomas são: dor abdominal, borborigmo, distensão abdominal, flatulência, diarreia aquosa explosiva, dermatite peria**l, podem ocorrer desidratação e acidose metabólica em caso mais graves.

Como descobrir se a criança desenvolveu intolerância? Quando devemos levá-la ao médico?
Procure avaliação médica nos casos de sintomas acima citados antes de iniciar uma dieta sem leite e derivados. Lembre-se que indivíduos com uma dieta pobre em leite e derivados e sem a substituição ou complementação adequada estão mais predispostos a desenvolverem uma mineralização óssea inadequada.

Caso a criança seja alérgica ou tenha intolerância, como deve ser a dieta? O que pode substituir o leite? Quais cuidados devem ser tomados?
Na alergia ao leite de vaca é necessária dieta sem leite e derivados com atenção especial aos rótulos, pois o leite pode vir com outro nome, como: leite em pó, leite desnatado, leite fluído, composto lácteo, caseína, caseinato, lactoalbumina, lactoglobulina, lactulose, lactose, proteínas do soro, soro de leite, whey protein. Atenção também para medicamentos e cosméticos. Na alergia ao leite não consuma alimentos que contenham queijo, iogurte, manteiga, creme de leite, leite integral, leite desnatado, leite em pó, leite condensado, produtos preparados com leite e com derivados. Também evite produtos com aroma de queijo, sabor artificial de manteiga, sabor caramelo, sabor creme de coco, sabor de açúcar queimado. A criança que está sendo amamentada deve ser mantida com leite materno e a mãe fará a dieta, em caso do uso de fórmula infantil, esta será substituída por formulação especial com proteína hidrolisada ou aminoácidos

É genético?
A primeira descrição de intolerância à lactose foi feita por Hipócrates 400 a.C. e a redução da atividade da lactase ocorre com maior frequência em alguns grupos étnicos (por exemplo: esquimós, judeus, orientais, indianos, negros) que perdem progressivamente a atividade enzimática. Sua prevalência pode variar de 10% a 90%, dependendo da etnia considerada. Postula-se que esta variação na prevalência seja decorrente da seleção natural ocorrida em povos criadores de gado leiteiro domesticado, consumidores de leite e seus derivados na dieta, com a aquisição de um traço genético dominante que perpetua a atividade da lactase após o desmame, selecionando indivíduos geneticamente habilitados a digerir a lactose. Nestes casos, ocorre a persistência de um “gene regulador”, recentemente sequenciado e localizado no cromossomo 2 (2q21), que não permite a supressão da síntese de lactase no tempo programado. Apesar desta descoberta, te**es genéticos não tem função diagnóstica de intolerância a lactose e não influenciam no tratamento.

Existe algum meio de prevenir a alergia ou a intolerância à lactose?
Na intolerância à lactose não existem orientações de prevenção. Já na alergia alimentar, faltam evidências de que a sensibilização inicie no período intrauterino. Até o momento, há pouca evidência de que a dieta materna durante a gestação e a lactação evitem a alergia. É importante estimular o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, e complementado até dois anos ou mais; e não retardar a introdução de alimentos sólidos e nem dos ditos “mais” alergênicos (peixe, amendoim, castanhas, ovo, etc.) visando prevenir alergias. Não há qualquer justif**ativa para se retardar a introdução dos alimentos sólidos após o sexto mês de vida, sob o risco de aumento da sensibilização a antígenos alimentares e possíveis manifestações de alergias, principalmente a dermatite atópica.

Há níveis de intolerância?
A quantidade de lactose necessária para desencadear os sintomas varia de indivíduo para indivíduo, dependendo da porção de lactose ingerida, do grau de deficiência de lactase e do tipo de alimento com o qual a lactose foi ingerida.

Há tratamento? Ou é para a vida toda?
A intolerância a lactose secundária e a do prematuro são transitórias, o indivíduo volta a tolerar após um período de dieta sem o carboidrato. As demais são para toda a vida.

Há algum número de quantas pessoas no Brasil possuem intolerância a lactose?
Não há dados quanto ao número exato de indivíduos com intolerância a lactose.

Fonte. sbp.com.br

Endereço

Jundiaí, SP

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