16/07/2025
Não nasci , mas cresci em Jussara - PR. Alguns conhecem a minha história, são e foram participantes ativos. Mas essa não é a intenção deste post.
Gostaria de compartilhar um pensamento hoje com você, que acompanha minhas redes sociais.
Após o falecimento do meu pai, em 2005, passei a ver a vida com outro olhar. Já tinha saudades dos (as) meus (minhas) avós, mas a ausência de pessoas queridas e de referência, começaram a ter outro significado.
Sempre fui à igreja e presenciei anfitriões ilustres que cantavam, tocavam, celebravam. Me lembro das festas na cidade, onde hoje é o edifício da prefeitura; dos desfiles. Das ruas lotadas de crianças disputando um espaço para brincar de bets, pimball, pé-na-bola, esconde-esconde etc.
E com o passar dos anos cada pessoa que se foi, ou estão em processo de partida, é como se levassem parte de nossas (das minhas) referências.
Não haverão outras “Marias” ou “Josés” como estes que eternizaram seus jeitos e suas características em nossas memórias.
Os “Zés” que ofereciam balas para as crianças já não equilibram mais a bicicleta.
Os “Joāos” que vendiam sorvete já nãos andam mais.
As “Aparecidas” que se juntavam para fazer a novena de Natal, já não rezam mais.
As “Genis” que tocavam e cantavam na igreja, já não estribilham cordas ou teclas.
Os “Chicos” que frequentavam os louvores já não levantam mais as mãos.
Tantas pessoas que conheço que se foram deste plano deixaram e eternizam muitas saudades.
A cada referência que Deus recolhe, é como se o espaço ou o lugar que chamamos de lar começasse a se desmoronar.
Tais eventos nos lembram que tudo passa, a alegria, a tristeza, os momentos, tudo de esvai e escorre por nossas mãos.
Talvez pra muitos nada possa ter mudado. Mas na minha percepção, os eventos festivos e as datas comemorativas já não tem mais o mesmo sabor. A hipocresía, a soberba, a ganância, ferem o sentido de unidade, de família e destroem o conceito de fraternidade que aprendemos quando crianças.
Está morrendo a geração da igualdade, da dignidade, do respeito, da boa convivência. Estão sendo substituídos pela sociedade midiática, nada empática, do imediatismo, do achismo.
Onde estão nossas verdadeiras referências ?
Haverão outras Marias e Josés como antes ?
Que nossa geração saiba semear valores e separar a soberba, a vaidade e a ganância do caráter de quem bem sabe qual é a sua personalidade e do valor atribuído a mesma.
Nós que acompanhamos o antigo e agora o novo, devemos ser pontes para que haja continuidade dos valores, das referências que aprendemos na infância.
Precisamos espalhar a verdadeira mensagem do amor, sem máscaras, sem filtros, sem hashtags para os que nos observam agora como suas referências.
Que sejamos, então, faróis em meio à neblina — firmes, mesmo quando tudo ao redor parece se perder. Que nossas memórias não sejam apenas saudade, mas também sementes de futuro, plantadas com afeto, respeito e verdade.
A vida continua, e com ela a responsabilidade de honrar os que vieram antes de nós. Que cada gesto nosso, por mais simples que pareça, carregue a grandeza dos exemplos que recebemos. Que sejamos lembrados, um dia, não pelas aparências, mas pelos valores que defendemos e pelo amor que espalhamos.
Porque enquanto houver alguém disposto a amar com verdade, a respeitar com humildade e a viver com propósito, a essência daquilo que perdemos jamais morrerá.
🌿✨ Que nunca nos falte memória, nem coragem para sermos, também nós, boas referências.
Carlos Bruno Facina
00:07
16/07/2025