06/03/2026
Muitas pessoas acreditam que no ambiente corporativo os melhores profissionais são aqueles que apresentam maior competência técnica.
Mas, na prática, o funcionamento das organizações costuma depender de algo que raramente é dito de forma explícita:
Os jogos sociais.
Saber quando falar.
Saber quando se calar.
Saber interpretar indiretas.
Saber navegar em hierarquias informais.
Saber participar de dinâmicas implícitas de poder.
Para muitos autistas, especialmente adultos de diagnóstico tardio, esse não é o principal modo de funcionamento cognitivo.
O cérebro autista tende a operar com:
• comunicação direta
• foco em tarefa
• lógica objetiva
• previsibilidade nas relações
Enquanto isso, muitos ambientes corporativos operam com:
• comunicação indireta
• alianças sociais
• leitura de sinais implícitos
• dinâmicas informais de influência
Quando esses dois sistemas se encontram, acontece algo paradoxal. Profissionais altamente capazes podem ser vistos como:
“difíceis”
“pouco políticos”
“sem jogo de cintura”
E acabam sendo avaliados não pela qualidade do trabalho que entregam… mas pela habilidade de navegar em códigos sociais não explícitos.
O resultado é uma realidade que muitos autistas conhecem bem: competência técnica alta, desempenho consistente, mas dificuldade de permanecer em ambientes que exigem leitura constante de jogos sociais.
Isso não significa falta de capacidade.
Significa que muitos ambientes profissionais ainda são estruturados para um único tipo de funcionamento social.
Talvez a pergunta não seja:
“Por que autistas não se adaptam ao ambiente corporativo?”
Talvez a pergunta seja:
Por que o ambiente corporativo ainda tem tanta dificuldade em reconhecer diferentes formas de inteligência e competência?
Me conta uma coisa:
Você já viu alguém extremamente competente perder espaço no trabalho por não entrar nesses jogos?
Você não é todo mundo!!! 🎙️ Clécio Carlos Gomes - Neuropsicólogo CRP 12/01350. Professor Pós-Graduação Instituto Albert Einstein
🎯 TEA, TDAH e AH/SD não são rótulo