25/02/2026
Jung sobre a morte de sua esposa (Emma Jung)
"Ao Dr. Erich Neumann
Tel Aviv/Israel
15/12/1955
Prezado Neumann!
Meus profundos agradecimentos por sua cordial carta! Permita que expresse meus pêsames pela morte de sua mãe. Infelizmente só posso apresentar ao senhor palavras áridas, pois a comoção que vivi é tão grande que não consigo me concentrar, nem recuperar minha capacidade de expressão. Eu teria gostado de contar ao seu coração amigavelmente aberto que dois dias antes da morte de minha esposa tive - pode-se chamá-la assim - uma grande iluminação que, como um raio, tornou claro para mim um segredo secular, incorporado em minha esposa, que exerceu em mim uma influência de insondável profundidade e de inestimável grandeza. Não posso pensar de outro modo, a não ser que esta iluminação veio de minha esposa, que naquela ocasião estava na maior parte das vezes inconsciente, e que o tremendo esclarecimento e libertação de meu conhecimento teve um efeito retroativo sobre ela, o que foi uma das razões para que ela pudesse falecer tão regiamente e sem sofrer.
O fim tão rápido e sem sofrimento - somente cinco dias entre o diagnóstico definitivo e a morte - e esta experiência foram para mim grande co***lo.
Mas a quietude e o silêncio que se pode ouvir ao meu redor, o vazio do ar e uma distância infinda são difíceis de suportar.
Com saudações cordiais também à sua esposa e com meu agradecimento,
C.G. Jung"
Jung - Cartas Vol. II pág. 450.
* Emma Jung faleceu em 27/11/1955.