16/04/2026
Marie-Louise von Franz sobre a morte
"À medida que Jung se aproximava do fim da sua vida na terra, as imagens de um "casamento sagrado", que ele um dia, próximo da morte, vira, voltaram. Quando Miguel Serrano o visitou, em 05 de maio de 1959, eles tocaram na questão da 'coniunctio'. Jung, relata Serrano, parecia estar perdido num sonho, e disse:
"Era uma vez, em algum lugar, uma Pedra, um Cristal, uma Rainha, um Rei, um Palácio, um Amante e sua Amada; e isso foi há muito tempo, numa ilha em algum lugar do oceano, há cinco mil anos [...]. Eis o Amor, a Flor Mística da Alma. Eis o Centro, o Self [...]. Ninguém compreende o que quero dizer [...] só um poeta poderia começar a entender [...]".
A morte é a última grande união dos opostos do mundo interior, o sagrado casamento da ressurreição, que os chineses antigos denominavam "a união negra nas fontes amarelas". Segundo eles, o homem, na morte, divide-se em suas duas partes psíquicas: uma, negra, pertencente ao princípio do yin, a parte feminina, "p'o", que mergulha na terra; e outra, brilhante, "hun" pertencente ao princípio do yang, que sobe aos céus. As duas continuam a sua jornada, a parte feminina para a divindade feminina do oeste; a outra, para o leste, dirigindo-se à "cidade negra" ou à "fonte amarela". Como "Senhora do Oeste" e "Senhor do Leste", eles celebram a "união negra" e, dessa união, o morto sai como um novo ser, "imponderável e invisível", capaz de "elevar-se como o sol e navegar com as nuvens".
Marie-Louise von Franz - C.G. Jung - Seu Mito em Nossa Época - págs. 227/228.