15/01/2026
Escrever este texto é, talvez, uma das tarefas mais difíceis que executei nestes quase 14 anos de serviço público.
Desses 14 anos, nove foram vividos no chão da Assistência Social.
Quem passou por aqui sabe: a Assistência não é apenas um trabalho, é uma ferida aberta que a gente tenta estancar todos os dias com as mãos nuas.
Ouvi o silêncio da fome e a angústia do desamparo, mas também tive a honra de ver a dignidade voltar aos olhos de quem parecia ter perdido a esperança.
Quantas vezes cheguei em casa com o silêncio pesado, carregando rostos e dores que o mundo insiste em não enxergar?
Hoje percebo que, embora eu tenha tentado transformar a realidade de tantos, foi a realidade deles que me transformou completamente.
Decidi que é hora de seguir, de buscar novos horizontes e de cuidar um pouco mais de mim.
Saio com o peito apertado, mas com a certeza de que servir ao outro é a forma mais bonita de se encontrar.
Aos meus colegas e amigos: vi em cada um de vocês uma força que beira o sagrado.
Obrigado pela cumplicidade, pelos cafés e pela teimosia em acreditar no ser humano.
Posso dizer que foi onde aprendi que servir ao outro é a forma mais bonita de se encontrar.
Abraços fraternos, meus queridos e queridas, na certeza que esse é um até logo e não um adeus ❤️