23/04/2026
Nem sempre a dificuldade está em sentir. Às vezes, está no reconhecimento do que sentiu.
Você sente e quase no mesmo instante começa a avaliação:
“isso é exagero?”
“tenho motivo para estar assim?”
“será que eu devia me afetar tanto?”
“isso faz sentido?”
Como se a experiência precisasse passar por uma banca antes de existir.
Há contextos em que certas emoções são acolhidas. Outras, não. Algumas ganham nome, espaço e escuta. Outras são tratadas como excesso, fraqueza, inconveniência ou descontrole. A questão é que, com o tempo, isso deixa de vir só de fora.
A própria pessoa passa a regular a vida afetiva a partir do que parece aceitável sentir. E então já não se pergunta apenas “o que estou sentindo?”, pergunta, antes: “posso sentir isso?”
Talvez uma parte importante do trabalho terapêutico esteja justamente aí: não em autorizar sentimentos, mas em perceber quem foi ocupando esse lugar de autorização dentro de você.