14/07/2025
A caridade virou um conforto digital?
Esses dias vi uma vaquinha online que arrecada dinheiro para comprar roupas para moradores de rua. A iniciativa é válida. Está funcionando. Mas algo me incomodou profundamente.
No Ágape Cárita, nosso aplicativo gratuito, a proposta é simples: conectar, por geolocalização, quem precisa de ajuda com quem pode ajudar — sem dinheiro, sem intermediários, só ação direta. Ainda assim, não vemos o mesmo engajamento.
Por quê?
Porque é mais fácil doar dinheiro do sofá do que sair de casa e entregar um agasalho em mãos. É mais confortável apoiar campanhas virtuais do que olhar no olho de alguém com fome. Parece que a caridade virou mais um exercício de ego do que de empatia real.
Enquanto isso, no deserto do Atacama, toneladas de roupas em perfeito estado são jogadas fora, formando verdadeiras montanhas de lixo têxtil. Poluem o planeta — e negam dignidade a quem passa frio nas ruas.
O que estamos fazendo?
Estamos doando dinheiro para nos sentirmos bem — ou estamos realmente comprometidos em transformar a realidade de alguém?
💡 Caridade de verdade envolve presença, tempo, deslocamento, afeto. Envolve o desconforto de sair da bolha.
Se você quer ajudar de verdade, baixe o Ágape Cárita. Encontre alguém perto de você. Doe água, um prato de comida, um cobertor. Ou apenas uma conversa.
Ajudar dá trabalho. Mas também dá sentido.