04/05/2026
O neurótico obsessivo não é apenas alguém “organizado demais” ou “perfeccionista”. Existe, por trás desse comportamento, um funcionamento psíquico marcado por tensão interna, medo de perder o controle e uma necessidade intensa de manter tudo sob ordem, inclusive os próprios pensamentos.
Na prática clínica, observamos que essas pessoas vivem em constante estado de vigilância mental. Pensam demais, revisam decisões, antecipam problemas e, muitas vezes, se aprisionam em dúvidas intermináveis. É como se a mente nunca desligasse.
O excesso de controle não surge por acaso. Ele costuma ser uma tentativa de lidar com angústias profundas, inseguranças e conflitos internos que não foram totalmente elaborados. Controlar o externo vira uma forma de tentar silenciar o interno.
Mas esse mecanismo tem um custo: ansiedade elevada, dificuldade em relaxar, sofrimento silencioso e, muitas vezes, relações afetivas desgastadas , já que nem tudo (nem ninguém) pode ser controlado.
Reconhecer esse padrão não é um rótulo, mas um convite à compreensão. Com acompanhamento adequado, é possível desenvolver uma relação mais leve com os próprios pensamentos, flexibilizar exigências internas e encontrar um equilíbrio entre responsabilidade e bem-estar.
Porque viver não é ter tudo sob controle… é conseguir existir mesmo quando não está.
Dra. Tati Perini
👩🏻⚕️Médica | Psiquiatria
CRM/SP 130.217
✍️🏻(On-line e Presencial)