19/07/2022
Falar de gestação é falar de subjetividade, da individualidade de cada sujeito, construída ao longo da sua história de vida, suas particularidades (cultura, crenças, idade, condições físicas, socioeconômicas, expectativas etc) e por isso as gestações não são iguais.
As gestações que são planejadas e/ou desejadas tendem a ser mais tranquilas no sentido de saúde mental. O fato de ser planejada pode ser um fator de proteção. Já as gestações não planejadas tendem a ser mais vulneráveis ao surgimento de alterações emocionais, podendo até ser considerado um grupo de risco nesse quesito.
Nem todas as gestantes se sentem bem com o corpo grávido, o que pode afetar inclusive a libido dessa mulher. Algumas vezes essa percepção negativa das mudanças corporais da gestação pode levar e/ou aumentar o estresse, a depressão e a ansiedade. As mudanças corporais da gravidez também podem afetar o(a) parceiro(a) de maneira positiva ou negativa e isso pode influenciar na relação do casal.
A gravidez gera ambivalência na mulher, independente da gestação ter sido desejada ou não. É um misto de sentimentos opostos que são inevitáveis nesse período (principalmente no 1° trimestre).
“Em geral, as gestantes f**am mais regredidas emocionalmente e parece existir em todas elas um sentimento de ambivalência em relação ao desejo de ter um filho: por um lado desejam e aceitam a gravidez, e por outro, rejeitam o filho por sentirem medo do parto, da incapacidade de criar o filho e por outros motivos inconscientes.” (Milbradt, 2018)
Os sentimentos ambivalentes não estão ligados somente ao bebê, mas também a outros fatores, como a vivencia de situações limitantes, falta de apoio, falta de afeto do companheiro(a) e da família e temores quanto ao futuro.
Por isso, precisamos normalizar a ideia de que uma mulher grávida nem sempre está feliz e tudo bem!
É importante que as gestantes sintam-se à vontade para expressar esse mix de sentimentos que são comuns na gravidez e, inclusive, para procurar por ajuda profissional caso não estejam conseguindo lidar com eles sozinhas.
Geralmente, os sintomas apresentados no pós-parto têm o início durante a gravidez e, não sendo tratados, permanecem no pós-parto.