24/02/2026
Há dias em que me pergunto o porquê de tanto trabalho, em como seria a vida se eu diminuísse o ritmo. Em outros, estou eu topando com entusiasmo uma possibilidade de trabalhar falando de arte e psicanálise em um sábado à tarde.
Falar de psicanálise é muito diferente de atender utilizando dela. A posição é outra, o holofote também.
Na clínica, gosto sempre de estar no mesmo lugar físico, raramente mudo a disposição dos móveis ou qual é o lugar em que vou me posicionar. Nas transmissões que faço da psicanálise, não. Estou sempre em outros lugares, me colocando de outra forma e também ouvindo palavras outras saírem da minha boca.
É também bem diferente de como me coloco ao supervisionar, ou então ao deitar no divã que me acolhe há 12 anos. Diante de algumas figuras que estiveram no início da minha formação, eu apreendi que pra fazer psicanálise, há que ser rígida.
Que bom que esse (des)aprendizado durou pouco na minha vida. Eu gosto muito de circular, de encontrar os pares, e cada vez mais de forma orgânica, presencial. Atendo online, supervisiono online, faço falas no formato online.
Mas é assim, quando estou rodeada pelas pessoas em matéria, recebendo acenos de cabeça e diferentes brilhos no olho direcionados ao que digo, é que sinto que estou no lugar onde sempre sonhei em estar. Unindo a posição do analista com a de um leitor, de um escritor, de um editor e, claro, fazendo arte in loco.
Que mágico ser tantas e ver tantas das minhas também se esforçando para serem infinitas. Obrigada, .thaiscastro por esse evento que, de tantas palavras, f**amos sem. E obrigada e pela escuta atenta e pelo match de milhões, deixando exposto o espaço bonito entre o que se pode escrever também com os olhares marejados. Um beijo no coração de vocês 🤍