23/03/2026
A IA hoje atua como uma extensão do nosso pensamento. Delegamos a ela desde a redação de e-mails até a organização de nossas emoções em aplicativos de bem-estar. O risco, no entanto, é a atrofia da resiliência. O amadurecimento psicológico exige o contato com o tédio, com a dúvida e com a frustração de não ter uma resposta imediata. Quando uma máquina nos entrega tudo pronto, o que acontece com a nossa capacidade de sustentar o vazio?
Estamos vendo o crescimento de vínculos com entidades não humanas. Para muitos, o chatbot é o único “ouvinte” disponível às três da manhã. Embora isso possa oferecer um alívio paliativo para a solidão, precisamos ser cautelosos. A empatia da IA é simulada; ela não possui corpo, história ou vulnerabilidade. A saúde mental se nutre do olhar do outro um outro que também falha, que sente e que nos valida em nossa humanidade compartilhada.
O maior desafio talvez seja a pressão invisível para nos tornarmos tão eficientes quanto as máquinas. O Burnout em 2026 muitas vezes nasce dessa comparação injusta. Precisamos reafirmar que o tempo humano é orgânico, lento e, muitas vezes, “improdutivo” e é justamente nesse tempo que a cura e o autoconhecimento acontecem.
A tecnologia deve ser o meio, nunca o fim. Como psicóloga meu papel é garantir que, em um mundo cada vez mais artificial, a nossa essência permaneça profundamente humana.
Faça terapia 💕