03/03/2026
Mais que um tipo de diagnóstico, um signif**ante. Historicamente alinhado com uma patologia, foi e é o movimento psicanalítico que faz frente a essa ideia. Trazendo o autismo ora como um conjunto de sintomas, ora como uma posição na relação com o Outro e com a linguagem, ora como um dos tempos do desenvolvimento. O que mais me chama a atenção é a posição ética do psicanalista que toma o autismo como signif**ante e enigma a ser desvendado pouco a pouco no um a um do caso a caso.
Talvez este seja um dos principais pontos em que eminentes profissionais da área da saúde tendem a criticar a psicanálise. A psicanálise não trata o autismo como doença, muito menos considera todos os autistas iguais, nem pretende os mesmos efeitos, objetivos e resultados para todos. A psicanálise não se propõe nem a padronizar o autista, muito menos o tratamento.
Em minhas discussões com diversos membros representantes da PBE aqui em nosso país, a crítica a psicanálise chega por esse viés. Na live passada com Nathan já desmontamos a ideia de que a psicanálise não é ciência e de que não tem evidências de eficácia, ou que suas teses não podem ser comprovadas empiricamente. Em “Psicanálise: formação tratamento e cura” trabalhei mais detidamente com relação às evidências. No entanto o discurso pseudocientífico majoritariamente político e econômico continua negando, omitindo, ignorando as evidências em prol de uma maneira simplista de pensar o autismo que não consegue acolher e nem dar tratamento adequado ao sujeito. Se alguém tem dúvidas desta afirmação, basta lerem os livros escritos por pais de autistas ou as autobiografias de pessoas autistas que passaram por estes tratamentos e depois encontraram a psicanálise.
Marco Leite e Bartyra de Castro, conversam sobre o autismo, a psicanálise e a posição do analista frente a isso de maneira clínica, científ**a e também política.