24/04/2026
Uma psicanálise que não considere a alteridade não é psicanálise.
Que eu não viva o sofrimento em minha pele não quer dizer que eu não possa respeitar o sofrimento e a história do outro. É esse o ponto que trabalhamos em nossa clínica.
Certa vez recebi uma paciente mulher e, depois de um tempo, pediu pra fazer análise com uma mulher. Depois de considerar o caso com ela, umas duas sessões, encaminhei a uma colega.
Raça, gênero, cor, s**o, corpo, tudo isso passa pelo imaginário mas se articula TAMBÉM de maneira simbólica e real.
Tenho medo de analistas que desconsideram o campo do simbólico e do real. Os efeitos na pele, na carne, que o discurso do Outro, que a cultura impõe sobre nossos corpos produz sofrimento a todos. No entanto, não é o mesmo sofrimento, nem da mesma maneira, nem com a mesma perversidade.
Um analista que escuta o sujeito e não a pessoa não pode recusar o campo do imaginário que faz consistência ao sujeito. Nem muito menos o campo do simbólico que marca com alguns significantes privilegiados o que aquele corpo pode significar na relação com o outro.
Isso sem dizer do real que, diante dele, precisamos dar uma resposta para fazer frente a angústia e a vida. O real da pele, do cheiro, do tom de voz, do campo do gozo e daquilo que insiste sem que haja possibilidade de elaboração. Campo da angústia por ser.
Bora conversar sobre?