20/01/2026
Estamos vivendo uma era em que SENTIR virou algo incômodo demais.
Qualquer desconforto precisa de resposta/tratamento imediata(o).
Qualquer oscilação emocional parece exigir correção.
Por um lado, falar de saúde mental hoje é um avanço! sem dúvida🙌🏽
Estamos em uma época que realmente as pessoas buscam tratamento, usam medicação quando indicada, rompem o estigma: tudo isso salvou e salva vidas🙏🏽
Mas, por outro lado… também observo um movimento preocupante: a pressa em tratar o SINTOMA antes de compreender o sujeito.
Crianças e adolescentes chegam aos consultórios exaustos, hiperestimulados, privados de silêncio, sono e regulação.
E AINDA com organismos inflamados, disbioses, carências nutricionais, alterações hormonais, cérebros em alerta constante, rotinas desorganizadas. E sabe o que muitas vezes o adolescente (e a família) procura?uma pílula dê conta de tudo.
Veja, medicamentos psiquiátricos são ferramentas importantes. EU PRESCREVO! Oriento! E sei da necessidade!
Mas não compensam ambientes adoecedores.
Não corrigem sozinhos um corpo que não descansa, não se alimenta bem, não se regula. Um corpo com questões metabólicas que impactam diretamente na saúde mental.
Quando a medicação vira resposta automática, algo se perde😞
Ela deixa de ser parte de um cuidado amplo e passa a funcionar como um atalho para silenciar o que deveria ser investigado e tratado corretamente.
Não existe mente sem corpo.
Não existe emoção isolada do sono, do intestino, dos hormônios, do estresse crônico, do contexto de vida.
Não existe disposição sem nutrientes.
Assim como sua pele reflete sua saúde mental.
Tratar saúde mental exige olhar o todo, e não apenas o diagnóstico.
❗️❗️Nem todo sofrimento é doença.
Mas todo sofrimento merece atenção.
E atenção não é banalização (não é sair prescrevendo remédio controlado, e depois outro pra ajudar no efeito colateral do primeiro, e outro pra dormir, ou pra ficar acordado…)
É preciso ajudar o paciente a recuperar equilíbrio, o sentido da vida: por dentro e por inteiro.