19/03/2026
Tem dias em que o coração não pede resposta.
Pede colo.
E, às vezes, esse colo vem de onde tudo começou.
Hoje, ao sentar para um momento simples de oração em casa, algo muito maior se abriu dentro de mim. Não foi sobre religião. Foi sobre sentir. Sobre olhar para dentro e reconhecer um coração cansado de duelar — com o outro, com o passado, consigo.
Tem batalhas que a gente nem percebe que continua lutando.
Palavras que f**am ecoando.
Feridas que a gente tenta justif**ar, mas que ainda doem.
E então vem o convite mais difícil de todos:
não revidar.
não endurecer.
não continuar.
Mas também não é sobre se calar ou se diminuir.
É sobre escolher não carregar mais o que machuca.
Hoje eu entendi que perdoar não é absolver o outro.
É retirar a mão da ferida e permitir que ela cicatrize.
E, no meio desse processo, algo muito maior me atravessou:
foram mãos de mulher que me sustentaram.
Uma mãe que segura firme e diz:
“vai passar.”
Amigas que escutam sem pressa.
Terapeutas que acolhem sem julgamento.
Mulheres que, mesmo cansadas, continuam sendo espaço de cuidado no mundo.
Existe um feminino que resiste —
não pela força da guerra,
mas pela coragem de continuar sentindo.
E hoje eu me senti autorizada.
Autorizada a soltar.
A não endurecer.
A não transformar dor em herança.
Porque talvez honrar quem veio antes não seja repetir suas dores…
mas permitir que elas terminem em nós.
Que a cura siga.
Por mim,
pelas que vieram antes,
pelas que estão,
e pelas que ainda virão.