10/02/2026
Talvez você tenha sido aquela criança que percebeu cedo demais:
Se eu cuidar deles…
se eu for forte…
se eu não der trabalho…
talvez alguém cuide de mim também.
Então você aprendeu a salvar.
Salvar o humor da mãe.
Salvar a paz da casa.
Salvar o pai da própria dor.
Salvar a família do conflito.
Mas a verdade silenciosa é esta:
Você não estava apenas cuidando.
Você estava tentando ser visto.
Amado.
Protegido.
A criança dentro de você fez um acordo invisível com a vida:
“Se eu salvar, talvez alguém me salve.”
E esse acordo não ficou na infância.
Na vida adulta, ele reaparece nos relacionamentos.
Você se envolve com quem precisa de ajuda.
Com quem está ferido.
Com quem é distante, confuso ou indisponível.
E, sem perceber, tenta salvar o parceiro…
não só por amor.
Mas porque, lá no fundo, a criança ainda espera:
“Desta vez, alguém vai me enxergar.”
“Desta vez, alguém vai me escolher.”
“Desta vez, alguém vai cuidar de mim.”
É como tentar reescrever a história antiga
usando um novo personagem.
Mas aqui está o despertar — com acolhimento:
Salvar o outro não cura a sua criança.
Se sacrif**ar não traz o amor que faltou.
Carregar o outro não preenche o vazio.
A cura começa quando você entende:
Você não precisa salvar ninguém para ser amado.
Você não precisa se abandonar para ser escolhido.
A criança que um dia salvou todo mundo
não precisa mais lutar por amor.
Agora, ela precisa de algo novo:
Alguém que a salve de dentro.
Você.
Psicóloga | Trauma & Regulação 🦋