12/07/2025
Aberastury (1981), psicanalista renomada, diz que o adolescente passa por três tipos de luto: o do corpo da criança; pela identidade infantil; e pela relação com os pais da infância.
Se esses são os grandes lutos fundadores da adolescência, o que dizer das inúmeras transições que se seguem?
Pensando sobre isso, fiquei me questionando: quantos lutos simbólicos passamos no decorrer das nossas vidas?
Terminar o ensino médio, terminar o mestrado, passar num concurso público, ver seu filho criar asas e sair de casa, mudar de emprego, casar, descasar e inúmeros outros.
Sempre vem com um sentimento de “e agora?”
Toda a mudança, pequena que seja, traz um furo, um vazio que poderia ser assimilado ao luto.
Talvez a ‘solução’ não esteja em preencher esse vazio às pressas, mas em reconhecê-lo, nomeá-lo como parte do caminho. É nesse espaço deixado pelo que foi que o novo encontra terreno para brotar. Lutos simbólicos não são falhas, são marcas de que estamos nos movendo, desprendendo do antigo para habitar o que virá, ainda que com saudade.