04/10/2017
ÓLEOS ESSENCIAIS NA DEPRESSÃO
Vivemos o século XXI, um mundo bem diferente do de décadas atrás. O advento da internet nos traz um arsenal de informações globalizadas a serem absorvidas, sem nem sairmos de casa. Há um impulso a novos olhares e a deixarmos a vida simples e caseira, de outrora, para ganharmos o mundo. Amizades virtuais, muitas vezes trabalho feito em casa na telinha do notebook, compras pela INTENET, banco no celular. Não podemos perder tempo algum. A sensação é que a terra está girando em velocidades cada vez mais elevadas e que temos o desafio de rever costumes e valores hoje ultrapassados e instaurar novas formas de conduta, sob o risco de perdermos os novos rumos da história da humanidade.
Bem ou mal, a convivência social real nunca mais será a mesma. Por outro lado, as distâncias parecem ter encurtado de tamanho quando podemos ver pelo celular nosso ente querido que está há milhas de distância, mas ao alcance dos olhos. Cada vez mais a relação interpessoal se faz por redes virtuais. Estamos deixando de lado coisas do tipo “fazer uma visita”, compartilhar um almoço ou uma boa xícara de café, devidamente regados a um bom papo com pessoas de carne e osso. Não julgo que esse seja um mal momento. Apenas diferente, que requer certa dose de adaptação para grande parcela da população mundial.
Readaptação, o novo, pode trazer ansiedade e depressão. Alguém já ouviu falar que fulano mudou de cidade e iniciou uma crise depressiva?
A mudança para um ambiente desconhecido, sem a família, trabalho ou escola diferentes, nova casa... parece momentaneamente nos tirar o chão e deixa-nos disfuncionais, mesmo que traga junto novas possibilidades. É tempo de reorganização mental para não sucumbirmos à tristeza na nova fase e não corrermos o risco de cronif**ar esse quadro.
Com presença de rebaixamento do humor, desesperança, irritabilidade, apatia e baixa de níveis da energia vital, a depressão leva ao desamparo, devido há um estreitamento do campo de consciência e da percepção de si e do mundo, aumentando o risco da pessoa tirar sua própria vida. Os dados da Organização Mundial de Saúde - OMS (2014) são preocupantes - todos os anos morrem no mundo 800.000 pessoas por essa causa, sendo ainda, responsável pela 2ª causa de morte mundial entre os jovens de 15 a 29 anos.
Para aliviar a dor da grande tristeza e sofrimento, o psicólogo deve implementar um tratamento individualizado, pensado para aquele paciente em questão. O foco é nas terapias cognitivas, com uma extensa agenda de atividades para ocupar o tempo e a mente do paciente deprimido. Pode ser útil a prática de meditação (mindfulness), atividade física, boa alimentação, e claro, aromaterapia. É importante propor um tratamento global para corpo e mente para proporcionar maior qualidade na vida do paciente.
Aromaterapia, etimologicamente, signif**a “o tratamento através dos odores”, constituindo-se em uma técnica que utiliza óleos de altas concentrações, extraídos de partes vegetais como folhas, madeiras e frutos, para obtenção dos óleos essenciais. As técnicas usadas para extração geralmente são a destilação e a prensagem. Normalmente para conseguir quantidade expressiva do óleo, é necessária uma grande quantidade da matéria orgânica.
Por exemplo, para obtenção de 1 litro de óleo essencial de limão, utiliza-se por volta de duas mil unidades do fruto.
É algo especial, intenso, desfrutarmos dos aromas em sua sutileza de cheiros e v***res. Ajuda-nos a fazer conexão com a natureza em seu poder curativo. Os aromas estão associados ao imaginário e inconsciente coletivos, nos remetendo a experiências nem sempre vívidas na memória, mas sempre causadoras de fortes impressões.
Minha experiência com o uso dos óleos essenciais no consultório e rede pública do SUS (Sistema Único de Saúde) iniciou-se há 3 anos, quando fiz formação em aromaterapia. Nesse tempo tenho notado boa aceitação do tratamento por parte de pacientes. Há uma abertura a experimentar um tratamento coadjuvante natural, por parte dos pacientes.
Nos casos de depressão e seus graus (de leve a moderado, moderado-grave e grave), muitos pacientes se entregam à tristeza e apatia e não conseguem reagir de forma racional para retomar a própria vida. Aqui abrimos brecha para a aromaterapia, por ser uma atividade de pouco esforço consciente tanto físico quanto mental. O paciente inicia, por comodidade, e a tendência é dar continuidade por conseguir alguma melhora em sua condição. Nesse segundo momento, já com maior vitalidade, poderá aderir ao próximo passo, que aqui é o tratamento psicoterápico propriamente dito.
O aromaterapeuta pode recomendar óleos essenciais para qualquer grau de depressão. Mas é importante lembrar que na aromaterapia o paciente não é incentivado ao abandono dos tratamentos convencionais. Trata-se de um recurso suplementar. O uso poderá ser tanto na forma de inalação pelas vias aéreas, de onde originou o nome da técnica, quanto sobre a pele. Em alguns casos, há uso interno também. Para potencializar o aproveitamento em tratamentos mentais, a via principal é a da inalação, pois alcança mais rapidamente o córtex cerebral, através da respiração.
Na depressão feminina, recomendo o óleo essencial de gerânio, importante tanto na diminuição de sintomas depressivos quanto do medo. Equilibra os hormônios e trabalha a harmonização do feminino (uso interno 3 a 5 gotas 3 vezes ao dia ou 12 gotas no difusor). Associo óleo de limão, (estimulante e que remete à clareza mental), para trazer maior contentamento e leveza ao dia a dia.
Às vezes substituo o gerânio por bergamota (16 gotas no difusor) para auxilio nos sintomas de insônia, ansiedade, estresse e redução do pessimismo.
Quando o caso é de depressão infantil, a indicação é de laranja doce, que resgata a alegria da criança interior e de grapefruit para melhorar a socialização e tristeza infantil. Já funcho é bom para o sistema endócrino, digestivo, fadiga e depressão. Normalmente indico que misture 1 a 2 gotas de cada óleo na mão e faça massagem nas solas dos pés da criança.
Para os homens, indico o uso de óleo essencial de patchouli, que permite reduzir o excesso de crítica ao comportamento do outro e que também é importante para resgatar a força interna e determinação masculinas (16 gotas no difusor). Outro óleo utilizado é o da camomila romana que proporciona a dissolução de pensamentos inadequados e negativos como o rancor, humor e deprimido (12 gotas no difusor elétrico).
Sempre peço que os pacientes persistam no tratamento por no mínimo duas a três semanas, para possibilitar a ação dos óleos no organismo e para que possa verif**ar os efeitos da técnica.
Geralmente o tratamento leva até 6 meses, com algumas pausas de 1 semana no final de cada ciclo de 1 ou 2 meses de tratamento.