05/05/2026
O conceito de “medicina de biquíni” revela que, durante a maior parte do século XX, a pesquisa e o atendimento médico voltados para as mulheres eram extremamente limitados e focados quase exclusivamente na saúde reprodutiva, concentrando-se apenas nas áreas do corpo cobertas por um biquíni: as mamas e o sistema reprodutivo.
Durante esse período, a doença cardiovascular (DCV) era erroneamente considerada um “problema de homem” Acreditava-se que as mulheres estavam naturalmente protegidas pelos seus hormônios antes da menopausa e pela terapia hormonal após esse período.
Como o coração não era o foco das investigações em mulheres, os sintomas masculinos tornaram-se o “padrão-ouro” para diagnosticar problemas cardíacos fazendo com que os sintomas manifestados por mulheres fossem rotulados como “atípicos”, embora sejam os sintomas típicos para mais da metade da população mundial
Essa abordagem limitada resultou em uma falta histórica de dados específicos por gênero, o que contribuiu para disparidades no acesso e na qualidade do cuidado à saúde cardiovascular para o público feminino
Em resumo, a “medicina de biquíni” simboliza uma era em que a saúde da mulher era reduzida à sua função reprodutiva, ignorando que doenças como as do coração são, na verdade, a maior ameaça à vida das mulheres.
Hoje tiramos o biquíni para olhar para a mulher num todo, considerando a saúde cardiovascular, metabólica, hormonal e mental.