07/04/2020
A pandemia e o sentido de confinamento
Angustia é tudo aquilo que aperta, que estreita no peito, sem a gente saber de fato expressar. Mas em tempos de pandemia estamos vivenciando a angústia de frente.
Hoje vivemos um momento de intensa angustia do por vir , gerando vários sentimentos como o do medo , da desesperança , da solidão , do fracasso , do desemprego , a fome , do desamor e assim vai ....
Estamos agora em plena anestesia social ...
Estamos num processo de percorrer entre as duas fronteiras a da vida e da morte.
Estamos inquietos, porque o adoecimento traz à tona nossa condição de mortal.
Estamos vivenciando a solidão ...
Essa solidão que golpeia, que maltrata, q ignora e que apavora, porque por traz disso encontramos as falas vencidas, os amores desencontrados, muitas vezes perdidos, as relações sem sentido. Somos na verdade aquilo que desconhecemos.
Estamos vivendo num momento em que os conflitos familiares estão aumentando, porque não tínhamos vivenciado o tédio em toda sua dimensão, com as manias alheias, imperfeições, neuroses, sem ter como fugir e é por isso que o confinamento traz desassossegos, um estado de tensão constante.
Estávamos vivendo um mundo onde o ritmo estava acelerado demais em todos os setores da vida, o espaço do calor humano foi diminuído e substituído por relacionamentos virtuais, estávamos salvando a imagem para uma sociedade que já estava de certa forma adoecida.
Talvez o que precisamos buscar neste momento seja a quietude da alma, um silêncio interno que traga novos aprendizados e sentidos e que na verdade estão muito ligados a sentimentos como afeto, generosidade e compaixão e talvez buscar dentro de nós mesmos, uma razão melhor pra se viver.
Rosemarie Simões