06/01/2026
No início de cada ano, muitos de nós fazemos listas, definimos metas e tentamos reorganizar a rotina. Mas pouco se fala sobre a necessidade de organizar o que sentimos.
Na psicanálise, entendemos que o que não é simbolizado — aquilo que não ganha nome — tende a retornar como repetição, irritação, ansiedade ou cansaço persistente.
Por isso, ‘começar o ano emocionalmente limpo’ não significa virar a página de forma forçada. Significa reconhecer o que 2025 deixou como resto psíquico: tensões, expectativas frustradas, relações que se alteraram, afetos que se acumularam.
Quando podemos observar esses conteúdos com honestidade — sem negar, sem dramatizar — abrimos espaço para que o novo seja realmente novo, e não uma repetição mascarada do antigo.
Um começo de ano emocionalmente limpo passa por três movimentos simples:
• reconhecer o que foi vivido;
• nomear sentimentos que ficaram difusos;
• perceber que não é necessário ‘resolver tudo’, mas apenas abrir espaço psíquico.
É assim que, pouco a pouco, o sujeito deixa de estar tomado por restos do ano anterior e passa a se movimentar com mais liberdade.
Começar o ano emocionalmente limpo é, antes de tudo, cuidar do próprio campo interno — e esse é sempre o melhor ponto de partida.