07/05/2026
Ontem participei do Simpósio pelo Fim da Violência Obstétrica, realizado pelo Comitê de Estímulo ao Parto de Maringá .
Falar sobre a presença da doula dentro de um espaço como esse, com profissionais de UBS, hospitais, estudantes e profissionais autônomos, foi signif**ativo.
Talvez dentre algumas coisas que me marcaram tenha sido perceber o quanto essa conversa já avançou. Quando perguntei quantos ali sabiam o que era uma doula, a maioria levantou a mão.
Pode parecer algo simples, mas não é. Durante muito tempo, a nossa presença foi vista como alguém extra dentro da assistência. Uma presença opcional, decorativa ou até desnecessária. Um acessório dentro da assistência.
E estar em um auditório cheio, falando sobre assistência respeitosa, violência obstétrica, comunicação, experiência da mulher e construção de autonomia, ao lado de profissionais que genuinamente se importam com o cuidado que oferecem, me fez pensar no quanto ocupar esses espaços importa.
Porque eu não acredito que a doulagem exista apenas para acompanhar partos de mulheres que contrataram um serviço. Eu acredito que ela também precisa ocupar espaços de conversa, construção, educação e transformação da assistência.
Acredito que precisamos devolver para a sociedade aquilo que aprendemos na prática todos os dias. E acho que uma das coisas mais bonitas de ontem foi justamente isso:
ver profissionais diferentes, de áreas diferentes, reunidos porque acreditam que a forma como uma mulher atravessa a experiência do nascimento importa.
Importa a forma como ela é ouvida.
Importa a forma como ela compreende o que está acontecendo.
Importa a forma como ela participa das decisões.
Importa a forma como ela é tratada dentro desse processo.
E é exatamente aí que a presença da doula faz diferença. Não como alguem que vai confrontar. Ou ocupar o espaço de outro profissional.
Mas como alguém que ajuda a sustentar a experiência daquela mulher dentro de um momento tão intenso, vulnerável e transformador.
Saí ontem muito feliz. Feliz pelo reconhecimento da profissão. Feliz por perceber o quanto essa conversa precisa continuar acontecendo.
Que a assistência sempre evolua!