16/08/2021
Texto escrito há um tempo. Aproveitando o dia da gestante, vou compartilhar com vocês!
Vocês também estão reparando o tanto de gravidinhas e bebês que surgiram em meio a pandemia e quarentena?
Isso me fez pensar em algo coletivo além das questões individuais de cada um.
No texto sobre "Imigração, tempo e esperança" Daniel Delouya traz a questão de passar por situações difíceis, perigosas e inseguras e o contraponto disso com um desejo de vida nova. O mesmo cita Freud e aponta essa elaboração em duas partes, uma na qual no trabalho de luto há uma noção de perda, de dor do desenlace e, por outra parte traz há a liberação da libido para reinvestimento em novos projetos.
Coletivamente passamos por situações de crises, gravidade, desastres, perigo de vida, paralisação, e podemos ver que além do luto por tudo isso, há também uma pulsão de vida, desejo, esperança, de projetos novos, vida nova.
Isso eu associei com o gerar uma vida nova.
Gerar uma vida, engravidar, além de um investimento libidinal em um novo projeto, é também, de acordo com Freud, um desejo de driblar a própria morte. Desejo de deixar descendentes, de poder deixar um legado, como a família.
É colocar a vida em marcha!
É fonte de vida e criatividade!
E como passamos por situações de medo da morte (nossa e dos nossos) nesse período, não é mesmo?
Com isso, ver casais com o desejo de vida tão pulsante, mesmo que as vezes de maneira inconsciente, também nos dá esperanças.
Ouvir a notícia de um bebê chegando, de que ali há um brotinho de fertilidade renova o olhar para a vida de quem está por perto.
Transborda desejo!
O que seria de nós sem nossos ciclos de encerramentos e inícios? E se tem uma coisa que simboliza um novo início: é a chegada de um bebê!
Uma vida nova, na esperança de um mundo novo. 🌍
Texto dedicado a todas as gravidinhas.
Roberta Serra
Psicóloga
CRP08/18910