21/01/2026
Julho, 2018, 21.
Sábado
Era para ser um dia “normal” como os outros. Dormi já era madrugada e acordei muito cedo, por volta das 6h. Estava calor. Levantei, fiz um café e deitei na rede para ver as mensagens no celular. Voltei para cama. Não dormi. Levantei, esperei dar 7h30 e então, Edson e eu, fomos caminhar. Escolhemos um parque em Maringá que ainda não conhecíamos (assim como a dor que eu viria passar, a partir daquele dia, também não conhecia).
Meu telefone ficou em casa. O dele, tocou. Um número desconhecido. Atende a ligação. A notícia era aquela que ninguém espera, mas que, todo mundo um dia terá: “Seu pai partiu”
Oi? Como assim?
Eu acordei cedo. Tomei meu café. Deitei na rede. Olhei as mensagens. Saudei um amigo que perdeu seu avô naquela manhã. Fui caminhar. Estava sol. Era um sábado.
Era para ser um dia comum como todos os outros. De repente, o sol ficou cinza. O nó na garganta. A boca ficou seca. Faltou ar. Ele dizia “calma, respira”... A estrada Paraná/São Paulo, se tornou no mínimo três vezes maior. Não vi a paisagem. Não tinha assunto. Não tinha voz. A dor não tinha som. Estavam ali meus livros do luto, meu estudo sobre a morte e “a morte do meu pai”, presente naquele momento.
Que sensação. Nada fazia sentido. Nenhuma leitura teórica me ajudava naquela hora. Nenhuma experiência dos atendimentos na clínica para um cliente enlutado, servia para abrandar minha sensação de impotência.
Era só um dia comum, um sábado, onde a morte vem, visita, leva quem amamos e nos deixa sós.
Talvez seja esse sentido da vida. Os dias continuarão a existir para quem f**a. Quem foi, foi. Sete anos e seis meses me separam da experiência daquele sábado de sol cinza. Ainda terei muito outros assim, e um dia, alguém os terá por mim. Então, que possamos fazer os tantos outros dias que pensamos ter, dias de cores suaves. E que a saudade não nos impeça de viver.
Pai, que saudade!