08/03/2026
8 de março não é uma data para celebrar o “feminino” de forma romantizada, nem para flores, elogios ou idealizações sobre delicadeza e cuidado. O Dia Internacional da Mulher nasce de uma história de luta: luta por direitos, por condições dignas de trabalho, por voz, por reconhecimento e, sobretudo, por segurança para existir no mundo.
Ainda hoje, mulheres seguem enfrentando desigualdades estruturais, violências simbólicas e reais, e a constante necessidade de justif**ar seus lugares. Por isso, este dia é, antes de tudo, um marco político e histórico — um lembrete de que muitos direitos foram conquistados por meio de mobilização coletiva e que muitos outros ainda precisam ser garantidos.
Na psicanálise, o feminino também não se reduz a um conjunto de qualidades ou papéis sociais. Freud já indicava que o feminino escapa às tentativas de definição total, e Lacan radicaliza essa ideia ao afirmar que “A Mulher não existe” — no sentido de que não há um universal que consiga dizer o que é ser mulher. O feminino aponta justamente para aquilo que não se deixa capturar completamente pelas normas, pelos discursos e pelas expectativas sociais.
Talvez por isso, falar do feminino também seja falar de um lugar de falta, de abertura e de invenção. Um lugar que desafia os modelos rígidos e revela o quanto cada sujeito precisa construir sua própria forma de existir.
Que o 8 de março nos convide menos à celebração superficial e mais à reflexão: sobre direitos, sobre escuta e sobre a necessidade de sustentar espaços onde mulheres possam falar, existir e viver sem violência.