18/04/2023
No ashram havia um rapaz chamado Kumar, que entrou como discípulo logo depois de mim. Eu achava que ele era o preferido do Mestre, por ser muito rápido e inteligente, enquanto eu tinha um ritmo mais lento. Era óbvio que ele queria minha posição na gerência do ashram . Guruji o colocou em meu lugar, dando-me tarefas de menor importância.
Todos vieram reclamar comigo, comentando que o Mestre cometera uma injustiça. Mas em vez de concordar com eles, fiquei do lado do Mestre. Eu lhes disse:
“O meu relacionamento com Guruji não é condicionado por títulos ou pelo trabalho que eu faça. Eu lhe prometi obediência e não vim aqui em busca de elogios ou de um cargo. Vim para transformar meu orgulho em humildade.”
No vale da humildade as águas da misericórdia divina se acumulam. Em geral, as pessoas que bajulam possuem um objetivo egoísta. Nunca suborne e nem se deixe subornar pela bajulação. Tudo que nos acontece é uma prova de Deus para ver como nos portamos. Aquele foi meu primeiro teste no ashram do meu guru. Eu não seria Yogananda hoje, se não tivesse passado nos te**es do Mestre. Eu disse aos devotos:
“O Mestre está certo. Não sei por que tomou essa decisão, mas sei que eu estaria errado se me sentisse ferido ou guardasse rancor.”
Então, o que aconteceu? Certo dia, quando eu estava ocupado com a tarefa que me havia sido designada, Kumar foi até o Mestre para se queixar de mim, dizendo: “O senhor me colocou na direção, mas todos vão falar com ele!”
O Mestre respondeu: “É isso que eu queria que você aprendesse. Você desejou o posto dele; ele nunca o quis. Todos o procuram porque ele é um líder natural. E por que você pediu a Yogananda que lustrasse seus sapatos, o que ele fez? Quando ele era o líder, alguma vez lhe pediu que limpasse os sapatos?”
Aprendi uma grande lição com isso. Fui testado e passei no teste. Não imitei a mesquinhez de Kumar. Além de dizer “Pai, perdoa-o”, também aprendi a amá-lo. E mais tarde, ele me seguiu. Esse é o caminho de Cristo.
Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus