08/03/2025
“A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.
A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
E fome.
A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.”. (Evaristo)
O poema de Conceição Evaristo revela uma voz que resiste, que insiste em não ser apagada. Sua voz denuncia a potência desse ecoar, contanto com ouvidos atentos e dispostos a escutar as vozes silenciadas pela história.
Uma voz que atravessa gerações, que carrega as marcas das mulheres, disso que passa de mãe para filha. A voz dos marginalizados, dos que foram e ainda são excluídos. Uma voz que vibra, que pulsa, e, por que não dizer, uma voz que é, acima de tudo, resistência.
Hoje celebramos todas as mulheres que fazem da sua existência um ato de luta, que ecoam suas histórias e resistem, como tantas antes delas.
Que nossa voz nunca se cale! ✊🏾💜
Nesse dia tão importante e de luta, um spoiler da minha dissertação de mestrado. 💪🏼♥️