02/04/2026
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UM MANIFESTO DE RESISTÊNCIA
O Vigor de quem Comanda o Próprio Tempo
Não escrevo estas linhas para pedir compaixão ou benevolência, mas para exigir o respeito que uma trajetória de oito décadas impõe.
Jótha Marthyns
Aos 82 anos, olho para o retrovisor e não vejo apenas o tempo passar; vejo o rastro de quem sempre esteve na linha de frente. Não aceito o papel de figurante que a sociedade e o poder público tentam me atribuir. Minha história não é um arquivo morto; é um editorial em constante atualização.
Minha têmpera foi forjada em dois mundos que exigem coragem. Primeiro, na Segurança Pública Estadual, onde servi por 20 anos com a disciplina e o rigor da graduação de Sargento da Polícia Militar. Foi essa mesma resiliência militar que me permitiu, aos 66 anos, subir ao palco para receber meu diploma de Bacharel em Direito e, logo em seguida, aos 81 anos de idade conquistar minha pós-graduação em Direitos Humanos. Para quem acha que a mente tem prazo de validade, minha vida é o contra-argumento mais sólido.
A Voz da Tribuna e a Jornada Compartilhada. — Quando encerrei meu ciclo na farda, não busquei o descanso passivo. Em 1986, fundei o jornal A Tribuna, em Monte Alto, e desde então sigo como uma voz ativa, incisiva e necessária dentro da comunidade.
O jornalismo, para mim, é uma extensão da segurança pública: ambos buscam a ordem, a verdade e a defesa do cidadão.
Nesta caminhada de mais de meio século, não estou sozinho. Tenho ao meu lado minha companheira de 52 anos, a professora Maria Clarice Gonçalves. Aos 71 anos, Clarice é o motor que mantém a engrenagem do nosso jornalismo girando.
Ela atua nas publicidades, na criação de conteúdos e domina as redes sociais com a agilidade que muitos jovens desconhecem. Somos um time de "idosos" que produz, que comunica e que incomoda aqueles que preferiam nos ver em silêncio. Estamos juntos na lida, provando que o talento e a parceria não envelhecem; eles amadurecem e se tornam invencíveis.
O Cercadinho da Invisibilidade — Sinto uma indignação latente ao ver como o Estado e a sociedade desenham o futuro dos idosos. É um desrespeito que se manifesta no vergonhoso confisco indireto de aposentadorias minguadas e na ausência de políticas públicas que enxerguem além do assistencialismo de fachada.
A prefeitura nos oferece o banco da praça para o jogo de damas ou a "Creche do Idoso" ou a “Discoteca da Saudade.” Para alguns, isso pode ser lazer; para nós, que temos sede de mestrado e planos de docência no Ensino Superior, essas opções são cercadinhos invisíveis que tentam limitar nossa capacidade intelectual.
A sociedade ao nosso redor parece acreditar que é imune ao relógio. Tratam homens e mulheres de vastas experiências como se fôssemos descartáveis, ignorando que o tempo é o senhor mais democrático que existe. Se chego aos 82 anos com esta lucidez, é porque tratei meu corpo como um quartel: exercícios regulares, alimentação regrada e distância total de vícios como o cigarro e o álcool. Minha saúde não é sorte; é uma estratégia de sobrevivência e dignidade.
O Veredito Final — É um paradoxo amargo: enquanto sinto o olhar enviesado daqueles que acham que eu deveria "apenas descansar", sob a atenção de cuidados, sigo defendendo os direitos fundamentais de todos — inclusive dos que hoje me discriminam. — Minha resposta à ignorância é o estudo; — minha resposta ao desprezo é o trabalho no jornal.
Aos que duvidam das minhas capacidades ou que tentam me empurrar para o sofá das novelas, deixo um aviso claro: a farda mudou para a beca, e a beca se une agora à rotativa do jornal e às telas das redes sociais. Não somos veteranos à espera do fim; somos profissionais em plena progressão.
Gente, eu estou vivo, podes crer! Vou chegar aos 100+ anos com a mesma retidão de quem sempre esteve ao lado da verdade. Eu sou Jótha Marthyns — o repórter da cidade, e junto com a minha Maria Clarice, sigo escrevendo as histórias que muitos não têm coragem de ler. A caminhada continua, e ela é porreta! Estou de pé!
*** Jótha Marthyns, 8.2. É jornalista, fundador e editor do Jornal A Tribuna, (1986) radialista, publicitário, escritor, bacharel em Direito, Pós graduado em Direitos Humanos. Analista em Comunicação Corporativa. Criador de conteúdos digitais e naming rigths. — Ex-integrante da Segurança Publica (Guarda Civil Estadual e PMESP - 1963/1983 - Graduado na ESSgt em Curso Superior de Tecnólogo em Policia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública ) – Chefia Administrativa e Operacional da Guarda Civil Municipal de Monte Alto-SP (1999/2000)