Psicólogo Igor Souto

Psicólogo Igor Souto ᴘsɪᴄóʟᴏɢᴏ
ᴄʀᴘ: 04/47231
sᴇssão ᴘʀᴇsᴇɴᴄɪᴀʟ / ᴏʀɪᴇɴᴛᴀᴄ?

Na psicanálise, a compulsão é compreendida como uma repetição que escapa ao controle consciente do sujeito e que insiste...
30/01/2026

Na psicanálise, a compulsão é compreendida como uma repetição que escapa ao controle consciente do sujeito e que insiste mesmo quando produz sofrimento. Diferentemente do desejo, que se articula à falta e admite o limite, a compulsão busca tamponar essa falta por meio de atos, vínculos ou objetos que prometem alívio imediato, mas nunca definitivo. É nesse ponto que se evidencia sua dimensão paradoxal: quanto mais se tenta preencher o vazio, mais ele se reafirma.

Entre as diversas formas de compulsão, aquela de caráter afetivo tende a ser a mais difícil de ser reconhecida. Isso ocorre porque ela se apresenta travestida de cuidado, entrega e amor. O sujeito acredita amar em excesso, quando, na realidade, encontra-se aprisionado à necessidade de ser amado, visto ou confirmado pelo outro. A repetição de relações marcadas pela dependência emocional, pelo medo do abandono e pela angústia diante da separação revela não um excesso de afeto, mas a tentativa insistente de reparar uma falta primordial.

No cotidiano, essa dinâmica se manifesta na dificuldade de sustentar a ausência do outro, na urgência por respostas, na necessidade constante de agradar e na vivência do vínculo como garantia de existência psíquica. O outro deixa de ser um parceiro simbólico e passa a ocupar o lugar de suporte do próprio eu. Assim, o laço afetivo perde sua dimensão de encontro e transforma-se em recurso defensivo contra a angústia.

30/01/2026
Quando o afeto é vivido sob a condição de não perder o outro, o sujeito aprende a negociar consigo mesmo. Silencia desej...
30/01/2026

Quando o afeto é vivido sob a condição de não perder o outro, o sujeito aprende a negociar consigo mesmo. Silencia desejos, ajusta gestos e diminui a própria presença para manter o vínculo. O amor passa a ser sustentado pelo medo, não pelo encontro. Nesse movimento, preservar a relação custa caro: pouco a pouco, perde-se a própria voz. O que se mantém não é o laço, mas uma adaptação contínua que garante permanência, ainda que às custas de si.

Quando a medicação passa a ocupar o centro de tudo, existe o risco de o cuidado se reduzir a um silenciamento rápido do ...
12/01/2026

Quando a medicação passa a ocupar o centro de tudo, existe o risco de o cuidado se reduzir a um silenciamento rápido do sintoma. Você pode até sentir alívio, mas o sofrimento que deu origem a ele continua ali, sem escuta, sem história, sem sentido.

Na lógica psicanalítica, o sintoma não é um erro a ser eliminado a qualquer custo, mas uma resposta possível do sujeito ao que não pôde ser elaborado. Quando o medicamento é usado de forma desmedida, ele pode funcionar como um tampão, abafando a angústia sem permitir que você se aproxime do que ela quer dizer.

O risco não está em medicar, mas em transformar a medicação em única resposta. Quando isso acontece, o corpo é tratado como máquina, e você deixa de ser escutado em sua singularidade. A história, os afetos e as marcas do sofrimento ficam fora do cuidado.

O tratamento se empobrece quando o remédio substitui a palavra. A medicação pode ser um recurso importante, mas não pode ocupar o lugar da escuta. Cuidar de verdade implica ouvir o corpo, a história e o sofrimento, para que aquilo que hoje aparece como sintoma possa, pouco a pouco, ganhar sentido.

Quando você escuta o discurso da magreza, talvez não perceba que a promessa nunca foi sobre o corpo. A indústria oferece...
12/01/2026

Quando você escuta o discurso da magreza, talvez não perceba que a promessa nunca foi sobre o corpo. A indústria oferece um ideal sedutor: se você emagrecer, será amado, aceito, suficiente. Mas o que está em jogo não é o peso, e sim uma falta que nenhum número na balança consegue preencher.

Ao tentar resolver esse vazio pelo corpo, o sofrimento psíquico se desloca para ele. O corpo passa a falar aquilo que ainda não encontrou palavras. A comida deixa de ser apenas alimento e vira linguagem. O controle, a restrição, o excesso ou a compulsão tornam-se tentativas de lidar com o que dói por dentro.

A promessa de magreza funciona como uma voz dura e exigente, que insiste: seja melhor, seja menor, seja outro. Quanto mais você obedece, mais insuficiente pode se sentir. O adoecimento não é fraqueza nem falha pessoal, mas o efeito de um discurso que transforma a angústia em produto e o desejo em mercadoria.

O corpo não está errado. Ele apenas responde à tentativa impossível de preencher uma falta que não é corporal. O cuidado começa quando você deixa de perguntar quanto pesa e passa a se perguntar o que tentou silenciar no corpo. É aí que o sofrimento pode, pouco a pouco, ganhar palavras em vez de sintomas.

Endereço

Montes Claros, MG

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Categoria

Psicólogo

Possui graduação em psicologia pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas - Funorte (2016). Pós graduando em Neuropsicologia, membro do Grupo de Pesquisa em Psicologia Escolar e Educação Inclusiva - GPPEEI. Atualmente - Consultório particular, Clinica Centro Médico Mais Saúde e Clinica CLEMESG ( Montes Claros- MG e Francisco Sá- MG ). Tem experiência na área de psicologia, com ênfase em psicologia relacional sistêmica e saúde mental. Atua como palestrante e com psicoterapia clínica, acompanhamento terapêutico de criança, adolescente, adulto, casal e família. Atuando principalmente nos seguintes temas: Psicodiagnóstico e avaliação psicológica, transtornos psicológicos, álcool e outras dr**as, técnicas de terapia sistêmica, elaboração de laudos psicológicos e te**es psicológicos.