20/02/2026
A comparação é uma das formas mais silenciosas de violência que a gente pratica contra si.
Existe sempre alguém que passou antes, casou antes, teve filhos antes, comprou a casa antes, conquistou o corpo “ideal” antes. E, sem perceber, a gente começa a transformar a própria vida em uma corrida contra um relógio que nem foi a gente que criou.
Quem disse que existe idade certa para tudo?
Quem determinou o prazo para estar “resolvida”?
Quem definiu qual corpo é aceitável?
Como psiquiatra, eu vejo o quanto essas cobranças adoecem. Elas geram ansiedade, sensação de fracasso, inadequação — mesmo quando a pessoa está construindo uma trajetória bonita, honesta e possível.
Cada vida tem um contexto.
Cada escolha tem um custo.
Cada fase tem uma prioridade diferente.
Há quem queira casar cedo. Há quem queira viajar o mundo. Há quem queira filhos. Há quem não queira. Há quem priorize carreira. Há quem priorize qualidade de vida. Nada disso é superior ou inferior — é singular.
Seu tempo não está atrasado. Ele é seu.
Seu corpo não é um projeto em eterna correção. Ele é a casa onde você vive.
Sua jornada não precisa seguir o roteiro de ninguém.
Talvez maturidade seja justamente isso: parar de tentar caber no cronograma dos outros e começar a construir uma vida que faça sentido para você.