06/03/2026
Tenho pensado muito sobre o cuidado com o feminino.
Sobre como o ciclo menstrual pode ser uma bússola.
Um convite para escutar o corpo, os sinais, os silêncios e as mudanças que atravessam cada fase da vida.
Mas também tenho pensado em algo que vai além da biologia.
Estamos vivendo um momento delicado.
Todos os dias vemos notícias de mulheres, adolescentes e até crianças sendo violentadas. E isso nos atravessa de uma forma difícil de explicar.
E talvez o cuidado comece antes do que imaginamos.
Começa quando aprendemos a nos escutar de verdade.
Porque quem consegue se escutar também aprende a escutar a filha, a amiga, a irmã, a paciente.
A violência muitas vezes encontra espaço quando alguém está vulnerável e sozinho.
E proteção também nasce no acolhimento.
Não no julgamento.
Quantas vezes mulheres julgam outras mulheres por escolhas que não entendem?
Escolhas políticas, religiosas, culturais ou simplesmente escolhas de vida.
Cuidar do feminino não é pensar igual.
É aprender a sustentar as diferenças sem transformar isso em ataque.
O corpo da mulher precisa ser respeitado fora.
Mas isso também começa dentro das próprias relações entre mulheres.
Talvez fortalecer o feminino seja justamente isso:
escutar mais, acolher mais e julgar menos.
Porque quando mulheres se reconhecem e se apoiam, a proteção deixa de ser individual e passa a ser coletiva.