04/03/2026
Quanto custa uma memória?
Para mim, não tem preço.
Há lembranças que são morada.
Quando fecho os olhos e revisito os detalhes da minha filha, o quartinho, as pequenas coisas, a nossa rotina, o tempo se multiplica.
Por um instante é como se eu pudesse tocá-la no invisível.
Falar das nossas memórias é uma forma de permanência.
É recusar que o amor tenha sido interrompido.
É permitir que quem partiu continue existindo no único lugar onde a morte não alcança: no vínculo.
Ainda me espanta que falar de quem partiu cause desconforto.
Como se o silêncio fosse mais respeitoso do que o amor dito em voz alta.
Quando, na verdade, lembrar é celebrar.
É manter acesa a chama de quem é luz.
Por isso, não fechem o espaço de fala.
Deixem os enlutados falarem.
Deixem que coloquem seus amores na mesa, na festa, na roda. Deixem que o nome seja pronunciado.
Falar de quem partiu não deveria pesar.
Deveria elevar. Porque estamos falando de AMOR,
e o amor continua.
🌻Ruana Queiroz
CRP: 17/2843