25/07/2018
“Desde a década de 90, pesquisadores vêm investigando as interações entre o EF e CA. Como resultado, temos agora um corpo robusto de evidências que corroboram os benefícios terapêuticos da pratica sistemática e regular do EF em inúmeros tipos de CA. Destaco aqui os que possuem um maior número de artigos publicados, tanto em homens quanto em mulheres: próstata, mama, traqueia, brônquio e pulmão, cólon e reto, estômago, cavidade oral, esôfago, bexiga, laringe, leucemias, tireoide, colo e corpo do útero e ovário. Estes, quando somados, equivalem a aproximadamente 75% da incidência prevista para 2018 de CA na população brasileira (INCA). Entretanto, mesmo quando olhamos para esta relação positiva (estudos/tipos de CA), ainda podem restar dúvidas sobre a viabilidade do EF em pessoas com CA que se encontram em condições de maior fragilidade. Para isso, cito o resultado de duas revisões recém-publicadas que analisaram a aplicação do EF em pacientes idosos e em estágios avançados de CA: além da constatação que estas populações são capazes de treinar, também foram encontradas melhoras significativas na funcionalidade, composição corporal, fadiga, qualidade de vida, distúrbios do sono e função psicossocial, com uma baixa ocorrência de eventos adversos. Desta forma, comprova-se a efetividade do EF no manejo de sintomas debilitantes frequentemente associados aos últimos estágios da doença e em idade mais avançadas.
É claro que para toda regra há exceções. O EF pode não ser recomendado para uma determinada pessoa. E é por isso que, independentemente do tipo e do estágio de CA e da senilidade do paciente, é importante que exista uma rigorosa avaliação prévia, de preferência multidisciplinar, capaz de identificar possíveis comorbidades associadas, neuropatias, complicações musculoesqueléticas e condições cardíacas, a fim de libera-lo à pratica esportiva e adequar a intensidade, volume e o modo do EF.”
Texto de: http://www.oncoguia.org.br/mobile/conteudo/exercicio-e-cancer-todo-paciente-pode-treinar/11894/892/